De volta ao front

De volta ao front

Em resposta ao vídeo no qual extremistas exibem a decapitação de um jornalista americano, o Pentágono bombardeia o norte do país e cogita a possibilidade de envio de mais 300 militares, subindo para 1.150 o efetivo de soldados na região

postado em 21/08/2014 00:00
 (foto: Ahmad Mousa/Reuters)
(foto: Ahmad Mousa/Reuters)








Forças dos Estados Unidos fizeram ontem ao menos 14 bombardeios a posições dos extremistas sunitas do Estado Islâmico (EI), no norte do Iraque, sob o impacto provocado na véspera pela divulgação de um vídeo em que os jihadistas anunciam e exibem a decapitação do jornalista americano James Foley. Além de ter atacado uma vez mais os terroristas, que conquistaram importantes regiões do país em uma ofensiva iniciada em junho, o Departamento de Defesa confirmou que estuda um pedido do Departamento de Estado para reforçar a presença militar de Washington com mais 300 militares ; o que elevará para 1.150 o efetivo americano no Iraque.

A morte de Foley, 40 anos, sequestrado em 2012, quando cobria a guerra na Síria, causou forte comoção entre familiares, amigos, colegas de profissão e autoridades de todo o mundo. O presidente Barack Obama fez um pronunciamento no qual lamentou o assassinato. Obama prometeu reforçar a luta contra os extremistas sunitas e pediu um esforço conjunto de governos e povos do Oriente Médio para ;extrair esse câncer e evitar que se espalhe;.

Referindo-se ao EI, o presidente afirmou que ;pessoas assim acabam fracassando;: ;Eles falham porque, no futuro, vencem aqueles que constroem, não os que destroem;. Em meio a críticas de que seu governo não fez o bastante pelos cidadãos sequestrados pelos extremistas, o secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, divulgou um comunicado afirmando que forças americanas realizaram recentemente uma operação para libertar reféns que estavam em poder do Estado Islâmico do Iraque, mas a missão fracassou. ;Os reféns não estavam no local previsto;, explicou.

Na França, o presidente François Hollande anunciou que pretende convocar uma conferência internacional sobre a segurança no Iraque e a luta contra o EI, por considerar a situação a mais preocupante desde 2001. ;Devemos estabelecer uma estratégia global contra esse grupo, que dispõe de recursos financeiros importantes e armas muito sofisticadas e ameaça países como Iraque, Síria e Líbano;, disse Hollande ao jornal Le Monde. O ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, reforçou que a presença crescente de extremistas exige um enfrentamento conjunto. ;Queremos que todos os países da região, os árabes e também o Irã e o P5 (as potências que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU) se unam à nossa ação;, destacou, em declaração a jornalistas.

O vídeo divulgado pelo EI levou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a interromper o segundo dia de férias para uma série de reuniões sobre a crise no Iraque e na Síria. ;Nós ainda não identificamos o indivíduo responsável por esse ato, mas, pelo que vimos, parece cada vez mais provável que seja um cidadão britânico;, disse Cameron à imprensa. O sotaque do homem que aparece ao lado de Foley e executa o jornalista deixa poucas dúvidas sobre sua nacionalidade. ;É algo profundamente chocante. Mas sabemos que muitos britânicos viajaram à Síria e ao Iraque para participar do extremismo e da violência;, completou o premiê.

Em visita a Bagdá, o chefe de governo italiano, Matteo Renzi, encontrou-se ontem com o novo premiê iraquiano, Haider Al-Abadi, com o anterior, Nuri Al-Maliki, e com autoridades da região autônoma do Curdistão. A todos, levou a mensagem de que ;a Europa não virará as costas; para a luta contra o EI. A Itália, que enviou ao país seis aviões com ajuda humanitária, estuda contribuir também com equipamento militar. Dando destaque à ;impressionante brutalidade; dos jihadistas, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, informou que seu governo está disposto a seguir os passos dos vizinhos europeus e apoiar as tropas curdas.

A organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) emitiu comunicado acusando os jihadistas de ;levar ao extremo a indústria sanguinária de sequestros;. Segundo o secretário-geral da ONG, Christophe Deloire, ao menos sete jornalistas estrangeiros estão em poder de grupos islâmicos na Síria. Um deles, o americano Steven J. Stoloff, aparece no vídeo divulgado pelos extremistas para anunciar o assassinato de Foley. Segurando a camisa de Stoloff, que aparece ajoelhado, o jihadista envia um recado ao governo americano: de que a sorte do refém ;depende das próximas decisões; da Casa Branca. Desde março de 2011, 39 repórteres foram mortos em trabalho na Síria. Deles, 12 eram estrangeiros.



Afeganistão expulsa correspondente

O governo do Afeganistão ordenou ontem a expulsão do correspondente Matthew Rosenberg, do jornal americano The New York Times, como represália pela publicação de uma reportagem que mencionava a suposta ameaça de dirigentes políticos locais de assumir o poder para resolver o impasse em torno da eleição presidencial. No texto, Rosenberg escreveu que ;poderosas figuras;, ligadas às forças de segurança, teriam ameaçado formar um governo interino para pôr fim à disputa entre o ex-chanceler Abdullah Abdullah e o ex-ministro das Finanças Ashraf Ghani. Ambos se proclamaram vencedores do segundo turno, disputado em junho, e alegaram ter sido vítima de fraude. Um acordo mediado pelos EUA resultou em auditoria dos votos, mas o processo ainda não foi concluído.


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