Ataque de macacos

Ataque de macacos

Bancária é agredida por quatro animais da espécie Cebus apella, que vivem no parque. Direção do local fará campanha de esclarecimento aos usuários

» Manoela Alcântara
postado em 21/08/2014 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

A bancária Márcia Maitelli, 50 anos, foi mordida, antontem, no braço direito por um macaco-prego (Cebus apella), na Água Mineral, enquanto lanchava com uma amiga, sentada em uma toalha de piquenique. Na última terça-feira, por volta das 11h30, as duas conversavam quando quatro animais da espécie se aproximaram. Um deles tentou levar a bolsa de Márcia. Ela, por instinto, puxou o objeto, quando foi atacada pelas costas por um deles, que a mordeu. Ao ouvir os gritos, alguns visitantes chegaram perto e os espantaram. Esse é a nona agressão de pessoas por algum tipo de bicho, desde janeiro. Até junho, o parque recebeu 112 mil usuários.

Uma das reclamações da bancária é sobre a falta de informações sobre os animais. Ela mora em Brasília há 20 anos, mas visitou o parque pela primeira vez no dia da ocorrência. ;Eles se aproximaram da gente pelas árvores. No começo, achamos bonitinho, observamos. Acho que um deles procurava comida na minha bolsa. Eu me assustei com a agressividade deles quando puxei a bolsa;, diz. Imediatamente, um dos funcionários do parque atendeu Márcia e a levou para a enfermaria. Eles lavaram o ferimento e a encaminharam ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Na unidade de saúde, ela tomou quatro vacinas e precisará de mais cinco. ;Ainda vou ficar mais cinco dias fazendo curativo. Meu maior medo é de contrair alguma doença;, diz. De acordo com o infectologista Julival Ribeiro, a pior enfermidade transmitida por mamíferos como o macaco, o cachorro, o gato, o morcego e outros, é a raiva. ;A raiva é letal. Por isso, é importante que a pessoa tome a vacina ou o soro indicado no centro de saúde. Para prevenir a infecção, o médico também pode indicar um antibiótico;, acrescenta o especialista.

Embora a direção do Parque Nacional de Brasília mantenha duas placas com avisos próximo às piscinas, a professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Centro de Primatologia, Maria Clotilde Tavares, teme que os ataques aumentem se uma campanha de conscientização não for iniciada. Ela coordenou pelo menos dois trabalhos sobre o comportamento dos macacos na Água Mineral. Um, em 2007, e outro este ano. ;O problema vem, de certa forma, se agravando. É preciso modificar a forma de interação dos humanos com os animais;, diz.

Uma das medidas seria informar ao visitante, de maneira clara, como se comportar na área de preservação ambiental. ;Existe todo um desconhecimento até para interpretar uma postura agressiva dos bichos. Algumas vezes, os macacos estão com os dentes para fora, balançando nas árvores, e as pessoas não sabem que esta é uma postura ostensiva;, afirma. Outra mudança é esclarecer sobre a falta de necessidade e os perigos de alimentar os animais. ;A conscientização é a melhor maneira para garantir uma interação saudável;, completa.

O chefe do Parque Nacional de Brasília, Paulo Carneiro, concorda com a especialista e garante que, até o início do verão, começará a campanha, guiado pelo estudo. Ele confirma oito incidentes com mordidas de animais no parque desde janeiro. Com esta de terça-feira, seriam nove em oito meses. ;As ocorrências são tanto com os macacos quanto com os coatis. Temos 400 espécies de bichos dentro da reserva. Não tomaremos nenhuma medida para restringir a liberdade dos animais. O que podemos fazer é conscientizar as pessoas;, diz.

Uma das indicações é para que os visitantes mantenham distância mínima de quatro metros dos animais. ;O macaco é um bicho cativante. As pessoas tentam chegar mais perto, mas não é o recomendado;, alerta. Ele lembra ainda que porcos-do- mato e coatis são avistados todos os dias no parque. Cobras também fazem parte das espécies existentes no local.





Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação