Entre o regional e o universal

Entre o regional e o universal

Nahima Maciel
postado em 21/08/2014 00:00






O diálogo entre regiões e linguagens está na base de Parceria, exposição de Bené Fonteles e Ton Bezerra em cartaz no Museu Nacional da República. Ton vem do Maranhão e Bené, apesar de radicado em Brasília, é do Pará. Os dois incorporam elementos populares e se apropriam de imagéticas regionais para construir uma obra de linguagem universal que reflete sobre a própria arte, mas também sobre a cultura e o lugar do espaço na construção de uma identidade. Bené Fonteles recolhe materiais pelos quais é fisgado. Em Parceria, ele mostra uma casa de marimbondo puxada por tratores de lata, brinquedos comprados na feira de Juazeiro (CE).

Uma parede inteira foi coberta com cocos secos, recolhidos ao longo dos últimos cinco anos e, em uma série de fotos, o artista aparece com roupas indígenas, africanas, máscaras de festas típicas e outras indumentárias simbólicas. ;É o encantamento que tenho por esses materiais;, explica. ;Pela textura, pela forma e por como fazer o deslocamento deles. Junto essas coisas de deslocamentos geográficos;. Nas instalações em cartaz no museu, há peças vindas de São Paulo, Ceará e Brasília.

Ton Bezerra segue o mesmo caminho com performances documentadas em vídeos e fotos nas quais o artista caminha pelas ruas paramentado com uma roupa de vaqueiro e microfones que emitem sons nordestinos ou puxando uma carroça com um jumento dentro. As performances são realizadas nas ruas movimentadas dos grandes centros urbanos e são uma maneira de o artista chamar a atenção para vários aspectos da vida urbana e da construção da identidade num mundo homogeneizado.

;Esse trabalho performático tem a intenção de criar um diálogo com a cidade e busca uma interação com o público, é uma arte que tem um conceito mais expansivo, que sai do cubo branco da galeria e se projeta no cotidiano das pessoas;, explica.

Nem sempre, no entanto, ele é bem recebido. Xingamentos preconceituosos pelo fato de trabalhar com uma estética nordestina são comuns durante as ações, o que é importante para o processo de construção da obra. ;O trabalho não é só político, mas tem esse cunho político e fala do comportamento da gente na cidade, o tempo da gente na cidade e o que a gente está fazendo com esse tempo;, diz. O artista repetirá essa performance na sexta-feira, às 16h, na Esplanada dos Ministérios. A ideia é sair do Museu Nacional da República puxando uma carroça com um jumento dentro.



Parceria
Exposição de Bené Fonteles e Ton Bezerra. Visitação até 7 de setembro, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional da República (Conjunto Cultural da República).

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