Procuram-se substitutos

Procuram-se substitutos

Mudança na chapa presidencial do PSB teve reflexos estaduais. No Sul, partido aliado tem dificuldade para escolher nome para o Senado. Em Minas, presidente de clube de futebol desiste da Câmara

ÉTORE MEDEIROS JULIANA CIPRIANI
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 6/5/13)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 6/5/13)

O acidente que vitimou Eduardo Campos e mais seis pessoas não provocou mudanças somente na candidatura do PSB à Presidência da República. Com a ida do deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) para o posto de vice na chapa da agora candidata a presidente Marina Silva, foi aberta uma vaga na disputa ao Senado no Rio Grande do Sul. No estado, os peesebistas estão coligados a sete partidos, entre os quais o PMDB, que acabou herdando a vaga. Desde a tarde de ontem, quando Beto renunciou à disputa ao Senado, passa a contar o prazo de 10 dias para a coligação indicar um substituto. A escolha, no entanto, não deve ser fácil, uma vez que três dos quatro concorrentes já descartaram publicamente abraçar a campanha.

O primeiro nome ventilado foi o de Pedro Simon. Considerado como um candidato natural, pela experiência de quem está no quarto mandato como senador, Simon repete, desde o ano passado, que não pretende concorrer novamente ; por veto do cardiologista Fernando Lucchese. Aos 85 anos, o gaúcho é um dos maiores entusiastas e conselheiros de Marina Silva. Apesar do apoio da ambientalista, Simon já declinou da vaga para Beto Albuquerque, e parece mais empenhado a convencer outro candidato do que concorrer novamente.

Dos outros três nomes mais fortes para a vaga, dois também negaram interesse. Germano Rigotto se sentiu desvalorizado após ter sido preterido por Albuquerque. Por uma rede social, o ex-governador do Rio Grande do Sul lembrou que se dispôs a concorrer ao Senado. ;Entretanto, contrariando nossas bases, uma condução equivocada do processo impossibilitou este sonho;, continuou na nota, na qual se queixa de não ter sido escolhido ;no momento adequado;. ;Agora, com a campanha já andando e os programas de televisão no ar, não é mais viável. Não se trata de não querer, portanto;, justificou.

Outro que está ressentido é o ex-prefeito de Porto Alegre e candidato a deputado federal José Fogaça. ;Não existe nenhuma chance, porque eu jamais serei convocado. O partido não me convocou quando eu tinha disposição, nem sequer cogitou o meu nome. O meu nome é citado apenas para constar;, disparou em entrevista ao jornal Zero Hora.

O quarto nome ventilado é o candidato a deputado estadual Ibsen Pinheiro. O gaúcho chegou a ser presidente da Câmara dos Deputados (1991-1993), mas foi cassado em 1994 pela CPI que investigou o escândalo dos Anões do Orçamento. Pinheiro foi absolvido do crime de sonegação fiscal, em 2000, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

;Quem gostaríamos que fosse, quem avalizou a ida da Marina para o PSB, quem direcionou o PMDB-RS para apoiar o Eduardo foi o Simon;, explica o deputado estadual Edson Brum, presidente do PMDB gaúcho. Ante a saúde fragilizada de Simon, Brum defende que o senador lidere a articulação pelo novo candidato, em parceria com o concorrente ao governo estadual pela coligação, José Sartori (PMDB). Brum minimiza a rejeição por parte dos principais nomes e jura que ;não existe disputa interna;. ;Nenhum dos quatro está descartado. Sempre que foram convocados, estiveram à disposição.;

Ante o cenário desfavorável deixado por Beto Albuquerque, que tinha apenas 12% das intenções de voto contra 29% de Lasier Martins (PDT) e 26% de Olívio Dutra (PT), ele explica que ;o PMDB tem uma tradição no Rio Grande de começar (a campanha) muito tarde;. Neste fim de semana, o partido tentará chegar a um acordo, que seria oficializado após reuniões da executiva e do diretório estadual da legenda, na próxima terça-feira.

Renúncia

Em Minas Gerais também houve mudanças de última hora no PSB. O presidente do clube de futebol Atlético-MG, Alexandre Kalil, recorreu a ;questões pessoais; para renunciar ontem à candidatura a deputado federal pelo PSB-MG. ;Não nasci para ser político;, afirmou, acrescentando que os filhos não se orgulhariam de um possível mandato. Principal puxador de votos da chapa para a Câmara, o empresário abandona o barco a 45 dias da eleição e expõe mais uma vez a crise entre os socialistas mineiros. Com a baixa, integrantes do partido estimam a redução da bancada que pretendiam eleger, já que a expectativa do próprio candidato era levar de 400 mil a 500 mil votos para a legenda. Kalil negou que a decisão tenha qualquer ligação com a mudança do PSB no plano nacional.

Nos bastidores, no entanto, há especulações de que Kalil se retira do cenário para não apoiar a candidatura de Marina Silva e, assim, não complicar a votação de Aécio Neves (PSDB) em Minas. Kalil era dissidente do partido e chegou a participar de atos de campanha do candidato tucano ao governo, Pimenta da Veiga. ;De jeito nenhum, não teve nada com Marina, com Aécio;, nega.

O agora ex-candidato, no entanto, não poupou o PSB de críticas. ;Nada neste partido me interessa. O que me interessava caiu de avião. Eu nem piso no partido. Estou me lixando para esse partido;, disparou. Considerando-se um cabo eleitoral de peso, Kalil disse que vai escolher alguém para ;representar o Atlético; na campanha. Com apenas dois deputados federais, o PSB contava com os votos de Kalil para dobrar a bancada.

AGENDA

DILMA ROUSSEFF
A petista participa de comício em Porto Alegre.

Aécio Neves
O presidenciável tucano visita a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Rio de Janeiro.

Marina Silva
A candidata do PSB participa de reuniões em São Paulo e decide se viaja ainda hoje para o Recife, onde haverá grande ato de campanha amanhã.

PALANQUE ELETRÔNICO
Mais que amuletos, muletas

; Dad Squarisi
Padrinho? É a pessoa que batiza outra. Ou serve de testemunha de casamento, duelo & similares. A figura é tão importante que merece um provérbio: ;Quem não tem padrinho morre pagão;. O destaque nasceu na antiga Roma. Os moradores dos pagus (aldeias) não aderiram ao cristianismo. Politeístas, ignoraram o batismo. Eram pagãos.

No país dos privilégios, padrinho ganhou outras denominações. Uma delas: QI (quem indica). Outra: REC (recomendada). Mais uma: pistolão. Ganhou, também, outras caras. Antes eram artistas. Chico Buarque & constelação global faziam campanha pra este ou aquele candidato. Eles sumiram. Novas vedetes ocupam a vaga.

Um deles é Tancredo. O neto Aécio o convoca lá do túmulo pra lhe ungir a campanha. Outro, Lula. Vivinho da silva, o ex-presidente não pede votos pra si. Pede pra Dilma. Sem modéstia, diz que fez muito. Precisa da afilhada pra continuar a obra que mudou a cara do país. Etc. e tal.

Marina não foge à regra. Na estreia, convocou Eduardo Campos. Até chorou. Sem produ

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