Hamas sofre golpe

Hamas sofre golpe

Força Aérea israelense recebe informações do serviço de inteligência e lança nove mísseis contra casa em Rafah, matando três comandantes do braço armado do movimento islâmico. Netanyahu comemora operação

Rodrigo Craveiro
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Abed Sha'at/Reuters)
(foto: Abed Sha'at/Reuters)








Primeiro, o Shin Bet ; serviço de inteligência de Israel ; forneceu informações precisas sobre o esconderijo. Restava bombardear o local. Na madrugada de ontem, a Força Aérea israelense disparou nove mísseis sobre uma casa em Rafah, no sul da Faixa de Gaza. Os corpos de Raed Attar e Muhammad Abu Shamalah foram retirados dos escombros. Comandantes das Brigadas Ezzedine Al-Qassam, o braço armado do movimento islâmico Hamas, figuravam na lista dos cinco terroristas mais procurados pelo Estado hebraico. Atar e Shamalah tiveram envolvimento no planejamento do sequestro do soldado Gilad Shalit, em 2005 (leia Três Perguntas Para), e em outros atentados. Muhammad Barhoun, líder do Hamas em Rafah, também morreu na ofensiva.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, saudou o contundente golpe contra o Hamas. ;A extraordinária inteligência reunida pelo Shin Bet, por meio do trabalho duro e do profissionalismo, aliada à execução precisa das capacidades das IDF (Forças de Defesa de Israel), nos permitiram decidir realizar essa operação contra os líderes do Hamas que conspiraram ataques fatais contra os israelenses;, declarou. ;Em meu nome e em nome de cada cidadão israelense, agradeço ao Shin Bet.; Coincidência ou não, o Hamas executou três palestinos acusados de ajudar Israel.

Sami Abu Zuhri, porta-voz do movimento, classificou as mortes de ;um grande crime israelense; e garantiu que a determinação do povo palestino não será quebrada. ;Israel pagará o preço;, avisou. Por sua vez, Ismail Haniyeh, líder do movimento em Gaza, afirmou que o ;martírio; de Abu Shamalah, Attar e Barhoun é ;um preço natural; da jornada do grupo. ;O caminho é longo, e os guerreiros de Al-Qassam vão colher um preço pesado do inimigo.; O bombardeio ao esconderijo ocorreu dois dias após a tentativa de assassinato a Mohammed Deif, chefe das Brigadas Ezzedine Al-Qassam. O corpo de sua filha Sarah, de 3 anos, foi encontrado ontem sob o que restou da casa da família Al-Dalou, no bairro Sheikh Radwan, na Cidade de Gaza. A mulher e o filho de 7 meses de Deif tinham sido enterrados na quarta-feira. A decisão de eliminar os comandantes do Hamas, em Rafah, foi uma resposta à ameaça de derrubada de aviões civis.

O funeral de Abu Shamalah, Attar e Barhoun atraiu uma multidão em fúria. Mais de 20 mil pessoas tomaram as ruas de Rafah, aos gritos de ;Oh, amado Qassam, ataque, ataque Tel Aviv;. Moradora da Cidade de Gaza, a intérprete Dalia Lababidi, 21 anos, afirmou que a execução dos três foi ;um choque;. ;Os cidadãos de Rafah dormiam e despertaram com o som de nove foguetes;, relatou ao Correio, por meio da internet. ;A madrugada passada foi a mais violenta em várias áreas da Faixa de Gaza, com intensas e contínuas explosões. Dormi poucas horas e, ao acordar, soube que um míssil tinha caído perto da casa de minha tia. Enquanto eu telefonava para ela, ouvi uma explosão alta. Um carro civil tinha sido destruído próximo a um shopping;, disse. Também em Rafah, a aviação bombardeou uma motocicleta, matando dois homens. Até o fechamento desta edição, 2.084 palestinos e 67 israelenses tinham morrido desde o início da Operação Margem Protetora, em 8 de julho ; ontem, foram 29 vítimas. A ofensiva custou aos cofres de Israel cerca de US$ 2,5 bilhões.

Diplomacia
Estudante na Cidade de Gaza, Mohammed Safadi afirmou à reportagem que os ataques aéreos ocorriam ;a todo o momento e em todo o lugar;. ;Eu estou sentado em casa com minha família. De repente, vejo uma luz vermelha no céu e ouço um barulho muito alto. Isso se repete desde o início da agressão a Gaza.; De acordo com ele, os assassinatos são uma ;tentativa desesperada da ocupação;. ;Netanyahu desapontou seu povo e, por isso, quer alcançar o cheiro de vitória. Matar nossos comandantes não nos enfraquecerá. Estamos com a resistência.; Desde terça-feira, os militantes de Gaza lançaram mais de 175 foguetes contra Israel. As sirenes antiaéreas soaram ontem em Modi;in, a 36km de Tel Aviv, e no norte da Cisjordânia.

O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, se reuniu com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmud Abbas. Durante o encontro, em Doha (Catar), eles debateram a ofensiva israelense. A Alemanha, a França e o Reino Unido começaram a trabalhar em uma resolução da ONU que conteria elementos como o retorno do controle de Gaza à AP, a reconstrução do enclave sob supervisão internacional e o reinício das negociações de paz.



Envolvimento em sequestro
Saleh Al-Arouri, autoridade do Hamas na Cisjordânia, proferia uma palestra em Istambul, quando confirmou, anteontem, que membros do grupo sequestraram e mataram três adolescentes israelenses, em junho. ;Houve muita especulação sobre esta operação, alguns disseram que era uma conspiração;, disse Al-Arouri. ;A vontade popular foi exercida em toda a nossa terra ocupada e culminou na operação heróica das Brigadas Ezzedine Al-Qassam em aprisionar os três colonos em Hebron;, disse, referindo-se ao braço armado do Hamas. A execução dos jovens judeus culminou numa espiral de violência e na Operação Margem Protetora.



Raed Attar
Comandante das Brigadas Ezzedine Al-Qassam no sul de Gaza, foi o arquiteto da rede de túneis do Hamas na região. Esteve envolvido em uma série de ataques letais contra soldados israelenses nas últimas duas décadas. De acordo com o Shin Bet, serviço de inteligência, Attar também orquestrou vários ataques suicidas. Ele teria liderado as Brigadas Rafah, que mataram e capturaram o corpo do segundo-tenente Hadar Goldin.



Muhammad Abu Shamalah
Principal líder do Hamas no sul da Faixa de Gaza, tinha 39 anos e era o responsável pelas operações em Rafah e no campo de refugiados de Khan Yunis. Era acusado de planejar dezenas de ataques contra Israel, incluindo a captura do soldado Gilad Shalit, em 2006, durante a qual dois militares israelenses foram mortos. Também encarregou-se de fiscalizar a infiltração de 13 militantes, por meio de um túnel, no kibbutz Sufa.





Três perguntas para
Noam Shalit, pai de Gilad Shalit, soldado israelense sequestrado pelo Hamas em 2006 e libertado cinco anos depois

Como o senhor recebeu a notícia da morte dos comandantes do Hamas que estavam implicados no sequestro de seu filho?
Eu soube da notícia como qualquer pessoa. Li as notícias pelos jornais. Nós não estamos dando entrevistas agora. Concedemos muitas entrevistas no Neguev e não queremos fazê-lo. Mas posso apenas lhe dizer que a melhor coisa que isso pode fazer é que a benevolência retornará ao sul de Israel. Não estamos interessados em fazer qualquer comentário sobre

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação