Ocidente em guarda com o recrutamento

Ocidente em guarda com o recrutamento

postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Joel Saget/AFP)
(foto: Joel Saget/AFP)
O chocante assassinato do jornalista americano James Foley ; executado por um jihadista que, pelo sotaque, acredita-se que seja britânico ; é mais uma demonstração da crescente influência de extremistas islâmicos entre jovens do Ocidente. Simpatizantes e membros do grupo são assíduos em redes sociais como Twitter e YouTube, e é por meio dessas plataformas que são propagadas muitas mensagens de ódio aos costumes, aos governos e aos povos europeus e aos norte-americanos. Enquanto tentam evitar que mais cidadãos troquem a rotina pela guerra no Oriente Médio, autoridades e estudiosos buscam compreender o que os motiva.

Nos últimos meses, chamou a atenção de investigadores o número de ocidentais recrutados pelo Estado Islâmico (EI), assim como a posição de liderança que eles assumem. A Interpol enfatizou, em comunicado, ;a necessidade de uma resposta multilateral à ameaça (representada pelos) combatentes transnacionais que se deslocam nas zonas de conflito do Oriente Médio;. Segundo estimativas britânicas, cerca de 500 deixaram o Reino Unido rumo à Síria e ao Iraque, recentemente. ;O problema é que não sabemos quais deles voltam com a intenção de retomar a vida de antes e quais voltam muito radicalizados;, destacou em junho o ex-agente de inteligência Richard Barrett.

Na guerra midiática, a presença desses extremistas nas frentes de combate gera propaganda positiva para grupos radicais. Isso explica, por exemplo, a origem do militante que executou Foley. ;Foi uma decisão deliberada, com uma vítima americana e um jihadista britânico. Quando vemos um indivíduo criado no que consideramos uma sociedade democrática civilizada, isso nos choca mais;, analisa Erin Marie Saltman, da Quilliam Foundation, organização dedicada ao contra-extremismo.

A crise econômica, o desemprego e a falta de perspectiva de parte da juventude, somados à pregação jihadista de um conceito de glória, poder e motivação divina, ajudam a impulsionar o recrutamento de ocidentais. A maior parte busca encontrar um caminho, uma identidade própria. São descendentes de imigrantes que se mudaram do Oriente Médio há duas ou três gerações. ;Alguns são mais vulneráveis aos grupos que prometem o martírio, no qual você se converte em uma figura épica, parte de um projeto para salvar o mundo;, observa Saltman.

O avanço do EI se destaca pela bárbarie. Há poucos dias, um terrorista australiano no Iraque postou no Twitter a foto do filho, de menos de 10 anos, segurando a cabeça de um suposto soldado sírio. Meninas ocidentais também estão no foco do grupo. Recentemente, três adolescentes foram presas na Europa tentando embarcar para a zona de guerra. As mulheres são recrutadas, principalmente, para se casarem com os combatentes e administrarem perfis na internet, mas algumas pretendem ir além. Ontem, uma jovem identificada como Khadijah Dare publicou no Twitter que tem a intenção de se tornar ;a primeira mulher do Reino Unido a matar terroristas britânicos ou americanos (sic);, referência aos militares ocidentais.




Cristãos em fuga
O chanceler francês, Laurent Fabius, recebeu ontem um grupo de cristãos iraquianos que desembarcaram em Paris, refugiados da violenta perseguição movida pelos extremistas muçulmanos sunitas do Estado Islâmico. Os jihadistas ocuparam as principais cidades cristãs do norte do Iraque e, como vêm fazendo com a minoria religiosa yazidi, promoveram a conversão forçada ao islã, sob pena de pagamento de taxas e eventualmente da expulsão dos que se recusam.



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