Administrador de Planaltina é exonerado

Administrador de Planaltina é exonerado

» ARTHUR PAGANINI
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press - 11/11/09)
(foto: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press - 11/11/09)

O administrador regional de Planaltina, Nilvan Vasconcellos, pediu exoneração do cargo ontem, após o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) receber denúncia do Ministério Público (MP) sobre eventual dispensa ilegal de licitação autorizada pelo gestor para a organização do evento cultural Cruzada Evangelística, realizado em agosto do ano passado. Indicado pelo deputado distrital Cláudio Abrantes (PT), Nilvan preferiu se afastar do cargo. ;Avaliando o momento político, resolvi pedir minha exoneração para evitar o uso político da situação. Amanhã (hoje), devo encaminhar a minha defesa prévia;, adiantou.

A Cruzada Evangelística consta do calendário oficial de festividades do Distrito Federal desde 1997 e é organizado em parceria com o Conselho de Pastores Evangélicos do DF, entidade sem fins lucrativos criada em 1970 para representar religiosos das diversas denominações evangélicas da capital. No ano passado, os artistas contratados para o evento foram os mesmos que seriam selecionados pela Administração de Santa Maria para a festa da 23; Fassanta, que comemora o aniversário da cidade. No entanto, o evento acabou cancelado devido a indícios de irregularidades. À época, o administrador de Santa Maria, Néviton Pereira Júnior, também foi exonerado.

O MP apresentou a denúncia contra em novembro passado. Este mês, a medida foi transformada em ação penal. Além do ex-administrador, nove pessoas acabaram indiciadas e responderão pelos mesmos fatos. Acusado pela suposta dispensa ilegal de licitação, Nilvan também é resposabilizado por associação criminosa. Ao todo, os delitos imputados a ele preveem pena de reclusão de cinco a nove anos de prisão, além do pagamento de multa. ;Causa estranheza o fato de o MPDFT ter apresentado a denúncia sem o relatório policial conclusivo sobre o caso. O evento ocorreu com primazia, com valores abaixo do mercado, inclusive;, ressalta Nilvan.

O substituto do ex-administrador ainda não foi escolhido. O chefe de gabinete, Wellington Mesquita, deve assumir interinamente a função. Segundo Cláudio Abrantes, a decisão de Nilvan foi pessoal. ;Ele me comunicou o fato um dia antes da publicação da exoneração no Diário Oficial e ainda não pensamos em um substituto. Nilvan me disse apenas que temia o uso político do assunto e, por isso, sairia do cargo. Ele ficou no posto por três anos e meio e n;unca teve problemas;, destacou.

SOB SUSPEITA

Relembre alguns escândalos que envolveram deputados distritais e o Execiutivo

2014

Desvio de emenda
Em fevereiro, o Ministério Público do DF e Territórios denunciou o deputado distrital Wellington Luiz (PMDB) pelo suposto desvio de R$ 105 mil de uma emenda parlamentar em 2011. De acordo com os promotores, o dinheiro deveria custear a capacitação de jovens jogadores de futebol do Varjão, mas serviu para bancar uma viagem do parlamentar, parentes, amigos e assessores para a Holanda. O recurso foi pago através da Administração do Varjão, reduto eleitoral de Wellington Luiz.

2013

Deputado cassado
Em outubro, o deputado Raad Massouh (PPL) foi cassado por 18 votos favoráveis. Ele foi acusado de desviar recursos públicos de uma emenda liberada por ele três anos antes, para a promoção do 1; Festival Rural Ecológico de Sobradinho. Segundo investigação da Polícia Civil, R$ 70 mil dos R$ 100 mil da emenda para realização de festival foram desviados por meio da Administração Regional de Sobradinho. O valor seria usado para pagar bandas que se apresentaram no evento, mas só R$ 30 mil, de fato, foram para quitar cachês.

2009

Compra de apoio político
Denúncia do Ministério Público apontou despesa mensal do Executivo no valor de R$ 600 mil com pagamento à base de sustentação na Câmara, sem contar situações especiais, como a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), quando os distritais teriam recebido R$ 420 mil para a votar a favor do projeto. Dez parlamenraees foram denunciados e respondem a processo. Alguns já foram condenados por improbidade administrativo.



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