Parque vai investir na prevenção

Parque vai investir na prevenção

Após nove incidentes com animais, a direção do espaço ampliará o número de placas com orientações aos frequentadores. O assunto será discutido na próxima semana

» MANOELA ALCÂNTARA
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

A proximidade com a natureza é um dos grandes diferenciais da Água Mineral. Mas o mesmo atrativo que desperta interesse dos visitantes tem sido alvo de preocupação. O caso recente de uma mulher mordida por um macaco-prego enquanto fazia um lanche colocou em xeque o comportamento dos frequentadores: como utilizar o espaço sem interferir na vida dos animais silvestres, habitantes originais do local. Os visitantes reclamam da falta de placas e até de fiscalização por parte dos funcionários.

Desde janeiro, nove pessoas foram vítimas de algum tipo de incidente com bichos no parque. A fim de evitar mais episódios desagradáveis, o diretor do Parque Nacional de Brasília, Paulo Carneiro, adiantou que se reunirá, na próxima quinta-feira, com a profesora do Instituto de Biologia e coordenadora do Centro de Primatologia da Universidade de Brasília, Maria Clotilde Tavares. Ela orientou uma dissertação de mestrado sobre os macacos. A conclusão do estudo é de que o melhor método de interação entre o homem e os bichos da reserva é a conscientização. ;Não devemos usar panfletos, pois experiências anteriores mostraram que não deu certo. Pelo contrário, somente produziu mais lixo. Devemos apostar nas placas com orientações e no aumento da sinalização, adiantou o diretor, que pretende adotar as sugestões previstas no trabalho acadêmico.


Ataques
A bancária Márcia Maitelli, 50 anos, levou uma mordida no braço direito, na manhã da última terça-feira. Era a primeira vez que ia à Água Mineral, embora more em Brasília há 20 anos. Enquanto lanchava com uma amiga, quatro macacos se aproximaram pelas árvores e um deles tentou pegar a bolsa da bancária. Por instinto, ela puxou o objeto de volta e um outro macaco a atacou. Nas áreas das piscinas, existem dois avisos com o alerta: ;Não alimente os animais;. Mas não há especificações diretas de como proceder quando eles aparecem.

Lídia Curado, 29 anos, vai ao parque todas as vezes que tem uma oportunidade. Ontem, foi tomar sol e conversar com outras duas amigas. Ela tomou conhecimento da notícia e reclamou. ;Não tem nenhum aviso na entrada, ninguém reprime o comportamento das pessoas que alimentam os macacos. Deveria haver um controle maior;, diz. A sugestão da estudante é que também sejam fixados cartazes nos banheiros e nos lugares de grande movimento. Para ela, os funcionários devem orientar os usuários sobre a distância a ser mantida dos animais.

A amiga Simone Angélica Silva, 30 anos, tem três filhos e afirmou não levá-los mais à Água Mineral. ;Prefiro não trazer, pois criança é complicado. Eles veem um bichinho e ficam doidos. Querem chegar perto, dar comida. Aqui é difícil. Sempre venho e ninguém nunca me parou para dar instruções;, lamenta a dona de casa.

Frequentadora do Parque Nacional desde pequena, Conceição Félix, 48 anos, relata que um macaco já levou o alimento que estava dentro de uma vasilha. ;Abri o pote para tirar um lanche. O coloquei de volta na mesa. O macaco levantou a toalha, abriu o pote, pegou a comida e foi embora;, afirma. Mas ela não se importa com a atitude dos animais. Leva a família sempre que pode e adota táticas para não invadir o espaço deles. ;É o habitat deles. Fico longe da grade, sempre mais para cima. Converso com as crianças e não deixo de vir;, completa.




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação