Medalha distante

Medalha distante

Brasileiros tiveram bons resultados nas principais maratonas do mundo nos últimos dois anos, mas resultados são insuficientes para que o Brasil sonhe com pódio na prova que encerra as próximas Olimpíadas

postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Maxim Shemetov/Reuters - 17/8/13)
(foto: Maxim Shemetov/Reuters - 17/8/13)


A última entrega de medalhas nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, daqui a dois anos, dificilmente terá brasileiros. Tradicionalmente, a cerimônia de encerramento dos Jogos também é palco da premiação da maratona. Apesar de figurarem entre os 10 melhores tanto em Londres-2012 quanto no Mundial de Moscou, no ano passado, os maratonistas do Brasil precisam correr como nunca para ter alguma chance de vingar o ouro perdido por Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas-2004.

Os três principais candidatos a estarem nos Jogos na maratona ; Franck Caldeira, Solonei da Silva e Paulo Roberto Paula ; pretendem baixar as melhores marcas pessoais. Hoje, nenhuma delas seria suficiente para medalha, se forem levadas em conta as maratonas mais recentes. Paulo Roberto Paula é quem tem o menor tempo entre os três, de 2h10min23, obtido em 2012, antes das Olimpíadas. Desde então, nunca conseguiu correr mais rápido.

Há otimismo entre os técnicos dos maratonistas brasileiros, apesar de os tempos não baixarem. Marco Oliveira, treinador de Paulo, afirma que o planejamento formado há dois anos tem obtido sucesso até agora. ;O objetivo dele era chegar entre os oito nas Olimpíadas de Londres e nos Mundiais do ano passado e de 2015. Conseguimos nos dois primeiros, e falta só irmos bem próximo ano para o ciclo se completar;, comemora. Com 2h12min17, Paulo ficou em oitavo lugar na maratona de Londres-2012. No Mundial de Moscou, completou o trajeto em 2h11min40s e empatou em sexto lugar com Solonei da Silva.

O problema é que, neste ano, nenhum dos três atletas conseguiu ainda atingir os objetivos. Franck Caldeira foi quem mais chegou perto: completou os 42,2km em 2h12min04, um segundo abaixo da melhor marca pessoal, conquistada em 2012. O tempo dele é o melhor do Brasil em 2014 até agora, mas apenas o 168; entre os registrados pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf). O queniano Wilson Kipsang, bronze em Londres-2012, lidera o ranking com 2h04min29.

Caldeira, aos 31 anos, reconhece que a marca segue distante demais de um pódio olímpico. ;Temos de acreditar, mas a realidade é dura. Se eu ganhar medalha, serei o homem mais feliz do mundo;, sonha. O maratonista vai disputar a Maratona de Amsterdã, em outubro, uma das provas classificatórias para o Mundial do ano que vem, em Pequim.

Quinto colocado nas Olimpíadas de 2012, Marílson dos Santos até brigaria por medalha caso corresse o melhor tempo conseguido na carreira, os 2h06min34 obtidos em 2011. Porém, maus resultados neste ano ; como não ter completado a Maratona de Londres ; colocam em xeque até mesmo a participação dele nos Jogos do Rio, que depende de índices brasileiros e internacionais. ;Ainda não é possível pensar nele para os próximos Jogos. Queremos chegar lá, mas é preciso considerar que ele já terá 39 anos em 2016;, analisa o técnico dele, Adauto Domingues. Marílson também corre a Maratona de Amsterdã.

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