360 graus

360 graus

Jane Godoy %u2022 janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 22/08/2014 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal
)
(foto: Arquivo Pessoal )

Sinfonia à natureza
Este é o título do livro que retrata a obra do artista plástico Gilberto Mello, esse baiano de Santo Antônio de Jesus, que escolheu Brasília para dar vazão à sua arte e criatividade, pois, segundo ele mesmo diz, ;A arte me alimenta mais do que o pão de cada dia;.

Ainda jovem, e tendo que optar por uma carreira universitária, Gilberto se tornou engenheiro agrônomo, partindo para o estudo e aprofundamento em ;botânica sistemática e herbário, técnica de secagem de espécies vegetais em sua totalidade, visando à classificação de cada uma das espécies; ensina.

Da Bahia para Brasília
Em Brasília desde 1963, um pioneiro, como se estivesse escrito nas estrelas, a dedicação a essa técnica de secagem das espécies vegetais serviu de base e se tornou o principal estilo do artista na criação de sua arte: imagens feitas com produtos descartados pela natureza, como folhas, que o inspiram a desenvolver uma variedade muito grande de figuras religiosas, entre elas a sua favorita: São Francisco de Assis, encontrado não só em cartões de mensagens, como em trabalhos maiores que, emoldurados, se tornam quadros enriquecedores para a pinacoteca de colecionadores espalhados pelo mundo afora.

O cerrado desperta nele a admiração pela sua riqueza natural, pois é fascinado pela profusão de folhagens, das mais variadas origens. Começam as incursões pelo cerrado e as matas ao redor de Brasília, para coletar tudo o que encontra pela frente. Surgem, aí, as famosas colagens que, de forma autodidata, levam o artista a fazer sua primeira exposição em 1965, no Hotel Nacional de Brasília.

A paixão por São Francisco
Uma viagem a Assis, na Itália, levou Gilberto Mello a perceber claramente a ligação entre o agrônomo e a vocação e o amor de São Francisco de Assis pelos animais e pela natureza. Depois dessa viagem, revigorado e convicto do que deveria criar, o artista viu fortalecida a sua vontade de usar o produto da natureza, tornando-o o tema central de suas obras: São Francisco de Assis.

Versátil e muito religioso (é Irmão do Santíssimo na Igreja Nossa Senhora Perpétuo Socorro no Lago Sul), Gilberto Mello cria imagens dos santos da devoção de todos os admiradores de sua arte tão simples e tão significativa.

O agrônomo entra em ação
Por experiência, Gilberto Mello sabe que, em alguns locais úmidos, encontram-se folhas trabalhadas por pequenos moluscos. Criou, então, no quintal de casa, ;um microambiente propício ao desenvolvimento desses espécimes, que se alimentam de algumas partes da folha, deixando intactas as nervuras e texturas. Elas ficam, portanto, trabalhadas naturalmente e, associadas a outros materiais vegetais retirados do cerrado, como flores, sementes, cascas de árvores, entre outros, utilizados nas colagens sobre o papel e tintas também artesanais.

A artista plástica e grande admiradora Marlene Godoy escreveu: ;Gilberto Mello conseguiu unir em suas obras plásticas duas forças fundamentais para o verdadeiro artista: o conteúdo e a forma. O conteúdo brota do seu coração, do seu interior, ao selecionar na natureza sua busca na estética. A forma vem depois, sempre cheia de poesia propícia para os humildes de coração!”

1963

Ano em que Gilberto Mello chegou a Brasília

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