Mantega vai ao ataque contra os adversários

Mantega vai ao ataque contra os adversários

Ministro critica propostas de aumentar o superavit primário das contas públicas e de reduzir a dependência da economia dos financiamentos dos bancos oficiais

postado em 03/09/2014 00:00
 (foto: Evaristo Sa/AFP - 29/4/14)
(foto: Evaristo Sa/AFP - 29/4/14)

Escalado pela presidente Dilma Rousseff para responder às críticas à política econômica do governo durante a campanha eleitoral, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi ao ataque contra a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva. De acordo com o ministro, seria temerário promover um forte aumento do superavit primário para combater a inflação porque essa medida provocaria a estagnação da economia. O superavit corresponde à economia orçamentária para garantir o pagamento dos juros da dívida pública.

;Combate à inflação com aumento muito grande do primário pode paralisar a atividade econômica;, disse o ministro, sem levar em conta que a economia brasileira já se encontra em recessão técnica devido, segundo a maioria dos economistas, a erros cometidos pela atual política governamental. Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que o Produto Interno Bruto (PIB) teve retração de 0,6% no segundo trimestre, depois de ter recuado 0,2% no primeiro.

O ministro também fez restrições à eventual subida dos juros para reforçar o combate à alta de preços, que tem se mantido ao redor do teto da meta oficial, de 6,5% praticamente desde o início do governo Dilma. ;Inflação se combate com firmeza, como temos feito, com política monetária, inclusive com alta de juros, porém não com a volta ao passado, com elevação da taxa para 20%, 30%, 40% ao ano, como era praticando antes do nosso governo;, argumentou.

Imposto de Renda
Mantega reagiu ainda à proposta de reduzir as atribuições do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, nos últimos anos, recebeu injeções bilionárias de recursos do Tesouro para financiar diversos linhas de crédito ao setor privado com juros subsidiados.

Para ele, a eventual redução da presença dos bancos públicos na economia representará menos financiamentos e juros mais altos. ;Máquinas e equipamentos comprados por todos os setores econômicos teriam elevação de custo sem subsídios do PSI (Programa de Sustentação do Investimento). Esses itens vão encarecer se depender só dos bancos privados, que hoje cobram taxas mais elevadas;, disse.

O chefe da equipe econômica respondeu ainda às críticas ao represamento das tarifas e demais preços controlados pelo governo, como os combustíveis, medida que vem prejudicando o caixa da Petrobras. Ele afirmou que o preço da gasolina deve subir ainda este ano. ;Todo ano tem aumento e agora não deve ser diferente. Em 2013, tivemos dois reajustes. Não há uma regra fixa, mas todo ano pode ter uma ou duas correções;, disse.

O ministro chegou até a prometer a revisão da tabela do Imposto de Renda para aliviar o peso da tributação sobre os salários, mas não definiu prazos ou valores. Em abril, o governo encaminhou medida provisória ao Congresso para mudar a tabela, mas, por falta de empenho do próprio Executivo, a proposta perdeu validade. ;Vamos resolver isso com alguma nova lei. Isso vamos verificar. Não vamos deixar a tabela sem revisão. Ainda não temos uma definição sobre como encaminhar isso;, concluiu.


Brasil menos competitivo
O Brasil caiu uma posição no Ranking Global de Competitividade 2014 do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês): saiu do 56; para o 57; lugar, em uma lista de 144 nações. Segundo o WEF, o recuo brasileiro se deve ao atraso na condução de reformas importantes no país. Entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a economia brasileira está à frente apenas da indiana, 71; colocada. A Suíça mais uma vez lidera, seguida de Cingapura, Estados Unidos, Finlândia e Alemanha. Na América do Sul, o Chile está a frente do Brasil, ocupando o 33; lugar. O coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), instituição responsável pela coleta e análise dos dados do país, Carlos Arruda, alertou para a perda de nove posições em dois anos. ;O ano de 2012 foi de crescimento da economia e oportunidades em relação à economia mundial, mas o Brasil não soube tirar vantagem dessa situação;, observou.

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