Correio Econômico

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Ao eleger o pré-sal como um dos temas para atacar Marina, a candidata Dilma comete um erro, pois remete os eleitores à Petrobras, que, associada à corrupção, se tornou um dos principais sustentáculos da onda anti-PT.

por Vicente Nunes vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 03/09/2014 00:00

Jogando contra
A decisão da presidente Dilma Rousseff de partir para o tudo ou nada com Marina Silva pode custar caro à petista. Na ânsia de tentar desconstruir a candidata do PSB, a atual ocupante do Palácio do Planalto escolheu temas que, na avaliação dela, a concorrente tem posições contraditórias, como o pré-sal. O problema, entendem especialistas em marketing político, é que o pré-sal logo remete os eleitores à Petrobras, que, associada à corrupção, tornou-se um dos principais sustentáculos da onda anti-PT.

;Poucas pessoas têm a dimensão do que seja o pré-sal. Mas a grande maioria associa o tema à Petrobras, que não é uma boa referência para quem busca votos;, diz um integrante do governo, que admite o desespero tomando conta da campanha de Dilma. ;Há pesquisas internas do Palácio do Planalto que indicam a Petrobras como problema e não como solução. Por isso, não entendi a estratégia da presidente de insistir nesse tema do pré-sal no último debate realizada no tevê;, destaca.

Na avaliação de um senador petista, é difícil para os eleitores assimilarem o discurso de Dilma de que o pré-sal será a grande fonte de receitas para melhorar a saúde e a educação do país, temas considerados prioritários pelos brasileiros. ;Os eleitores param e pensam: petróleo é explorado pela Petrobras. Mas a empresa é um ralo por onde escorrem os recursos públicos. Ou seja, o dinheiro do pre-sal vai beneficiar mais os corruptos do que a sociedade;, afirma. ;Não há campanha bonita na tevê que seja capaz de mudar essa visão do eleitorado;, emenda.

Para um executivo do mercado financeiro, a campanha de Dilma vende o pré-sal como o futuro do país, a receita para combater todos os males. ;Mas de nada adiantará essa riqueza ser explorada e os recursos, mal geridos. O grande problema do Brasil hoje não é dinheiro, mas a má aplicação dele;, destaca. ;É lindo ver os programas eleitorais transformando petróleo em hospitais, escolas e empregos. Mas tudo parece uma obra de ficção. Da forma como a Petrobras é administrada, certamente o pré-sal não será a salvação da lavoura como prega Dilma.;

O economista-chefe da INVX Partners, Eduardo Velho, ressalta que, a despeito dos mais de US$ 200 bilhões investidos pela Petrobras desde 2009, a produção da estatal caiu nos últimos dois anos e ficou estagnada nos três anteriores. Há cinco anos, ainda com Dilma na presidência do Conselho da empresa, os planos de negócios previam uma produção média de petróleo e gás de 3,9 milhões de barris de óleo por dia em 2014. Mas a extração atual não passa de 2,6 milhões de barris. ;Ou seja, a Petrobras não entregou o que foi prometido, está superendividada e com o caixa prejudicado pela política do governo de reter os reajustes de combustíveis;, diz.

Velho assinala que a contrariedade é tão grande em relação ao modelo atual de gestão da Petrobras, que os preços das ações da companhia dispararam nas bolsas de valores, diante da possibilidade de o PT ser derrotado em outubro próximo. ;Portanto, não vejo como a boa estratégia de Dilma de usar o pré-sal para tentar desestabilizar Marina.;


Decisões assustadoras
Um integrante do Conselho de Administração da Petrobras conta que as reuniões para definir os rumos da empresa têm sido assustadoras. Presidente do conselho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os demais indicados pelo governo atropelam qualquer questionamento de opositores e, mesmo sem argumentos consistentes, aprovam medidas que só têm minado o caixa da companhia. Ele conta ainda que Graça Foster, presidente da petroleira, limpou 60% da sujeira que encontrou quando tomou posse. ;Foi obrigada, contudo, a manter os outros 40% para se manter de pé;, frisa.


Medo de um novo calote
; Operadores de mercado andam inquietos com os movimentos da Oi em direção à TIM. Sobretudo por causa do banco contratado pela operadora ligada à Portugal Telecom para fazer uma oferta de compra à concorrente. Eles não esquecem que o BTG Pactual foi responsável pelo processo de reestruturação da Oi, que resultou em perdas de mais de R$ 4 bilhões aos acionistas minoritários.

Jogando a toalha
; Se nada mudar no meio do caminho, o Ministério da Fazenda deve anunciar, em 22 de setembro, que não cumprirá a meta de superavit primário de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). A equipe econômica seguirá o conselho dado por economistas que se reuniram na semana passada com o secretário de Política Econômica, Márcio Holland. Nenhum outro tema mereceu, entre os presentes, tanta crítica como o desarranjo fiscal do país.

Fatura fechada no 1; turno
; Gente graúda do governo já admite a possibilidade de as eleições presidenciais de outubro serem decididas no primeiro turno. Essa aposta se fortaleceu depois de pesquisa do Ibope mostrar Marina com 39% das intenções de voto em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, contra 23% de Dilma.

Cadê o Rivotril?
; Os estoques de Rivotril, tranquilizante da moda, estão se esgotando em Brasília. A procura pelo medicamento é crescente entre integrantes da Esplanada dos Ministérios.

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