Tucumã, muruci e Machu Picchu

Tucumã, muruci e Machu Picchu

Praticamente ignorada por décadas, a gastronomia do estado virou estrela de primeira grandeza entre os chefs nacionais e estrangeiros, que usam e abusam dos produtos exóticos. Mercado Ver-o-Peso concentra os ingredientes

» Alfredo Durães
postado em 03/09/2014 00:00
 (foto: Fotos: Alfredo Duraes/EM/D.A Press)
(foto: Fotos: Alfredo Duraes/EM/D.A Press)

Em 1911, o explorador norte-americano Hiram Binghan (1875-1956) ;descobriu; Machu Picchu, a cidade perdida do povo inca, entre as montanhas do Peru. Durante décadas, o gringo foi considerado o responsável por um dos maiores achados da arqueologia mundial. Hoje, o mundo científico usa a palavra redescobriu para classificar a façanha de Binghan.

A verdade é que a incrível Machu Picchu, que se eleva às alturas, era de todos conhecida nos povoados próximos. Inclusive fez parte de uma fazenda, sendo algumas de suas ruínas não cobertas pela vegetação usadas como casas. O fato é que os peruanos não davam muita bola para ela ou não mediam corretamente o potencial arqueológico. Aí, veio o estrangeiro, deu de cara com aquilo tudo, mandou tirar o mato e... o resto você já sabe.

Bom, mas o que tem Machu Picchu a ver com Belém ou mesmo com o Pará? Há um paralelo. Sem mesmo citar a cidade inca, Joanna Martins, diretora do Instituto Paulo Martins, conta um pouco da história recente da gastronomia paraense. Sentada à mesa do restaurante Lá em Casa, na Estação das Docas, em Belém, ela diz que a descoberta da gastronomia paraense se deu há menos de uma década. ;O povo do Pará nunca deu a atenção devida ao que tinha na mesa. Valor mesmo era dado ao que vinha de fora. Depois que nossa cozinha ficou conhecida nacionalmente e, num segundo plano, internacionalmente é que muitos despertaram para esse tesouro;, disse, enquanto mordiscava um filé de filhote (um peixe) com castanha triturada, acrescentando que o fato tem gerado empregos, divisas e oportunidades. ;Foi uma revolução;, avaliou.


Festival
O nome Paulo Martins é uma homenagem ao pai de Joanna, morto em 2010, e considerado o grande divulgador dessa riqueza local. O instituto tem como missão divulgar a cozinha paraense e amazônica e sua cadeia produtiva, pacote completo, com turismo, obviamente, incluído. O instituto promove anualmente, em maio, o Festival Gastronômico Ver-o-Peso, nome que remete ao maior mercado ribeirinho da Amazônia, em Belém.

Com 15 dias de duração, o festival navega por várias águas. Exposições, aulas gastronômicas, concursos, jantar beneficente, fóruns técnicos, botecos e o jantar popular das boieiras, nome dado às mulheres que trabalham no Mercado Ver-o-Peso preparando refeições populares, as boias.


Rota da cachaça
Para quem aprecia uma boa cachaça, Belém apresenta o Engenho do Bom Retiro, que produz a Cachaça Dil. O local abastece toda a região e a bebida é feita, na maior parte, de forma artesanal. Aberto a visitação e localizada em uma região com a natureza preservada e exuberante o Engenho Bom Retiro destila a cachaça fruto da cana de açúcar plantada em suas próprias terras, com safra suficiente para atender a demanda. Na mesma rota, você ainda poder continuar o tour rural visitando engenhos que já não estão mais em atividades no município de Belém, comoAngelim, Gameleira, Flores, Mufumbo e Jenipapo.



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