Chocolate feito na selva

Chocolate feito na selva

postado em 03/09/2014 00:00
 (foto: Alfredo Duraes/EM/D.A Press)
(foto: Alfredo Duraes/EM/D.A Press)

A saída é no cais da Praça Princesa Isabel e, com 15 minutos de navegação num barquinho com motor de popa (conhecido como rabeta), atravessando a Baía de Guajará, se chega à Ilha do Combu. Se você olhar para trás, antes de seguir por um curso de rio, vai ver os prédios e os contornos de Belém. À frente, a selva e os ribeirinhos, um tremendo contraste. Também conhecida como Ilha Redonda, Combu tem 2,3 mil habitantes, sendo que muitos têm a capital paraense como ponto de apoio para estudar, fazer compras ou trabalhar. O trânsito constante de barcos, lanchas e pequenas embarcações garante o transporte.

Depois que a visão da orla de Belém é ocultada pela mata que circunda o curso de rio, começam a aparecer as casas dos habitantes, todas do tipo palafita, para que as águas das cheias não lhes tragam danos. No máximo duas, três casas juntas, para logo depois surgirem outras.

Na margem do lado esquerdo, está a casa de Izate Costa, 50 anos, a dona Nema. Enquanto grande parte dos produtores locais se ocupa da colheita do açaí, ela colhe cacau em seu terreno para fabricar chocolate em barra ou em pó, produtos totalmente orgânicos.

Nema esclarece que os cacaueiros são naturais, mas que já plantou várias árvores e espera o crescimento delas. ;O açaí é o principal produto, porque sempre tem mercado. Mas banana, cupuaçu, seringa, cedro, ingá e outros também são colhidos para a venda na ilha;, conta.

Esse produtos, bem como as barrinhas de chocolate, são vendidos na Feira do Produtor Orgânico, às quartas e aos sábados, em Belém. O chocolate de Nema custa R$ 6 a barra de 100 gramas. Como é feito com 100% de cacau, é também usado por chefs de cozinha em pratos gourmet, inclusive no famosíssimo restaurante D.O.M de São Paulo, do chef Alex Atala, num menu-degustação.

Produção
Atualmente, Nema consegue vende entre 15 e 20 quilos de chocolate por semana somente na feira (sem contar os comercializados para donos de restaurantes e comerciantes), sendo que o produto também pode ser comprado diretamente na casa dela, na Ilha do Combu.

;Já tinha tentado antes trabalhar com cacau, em 2002, mas não deu certo. Em 2006, retomei a produção, tive o reconhecimento de alguns chefs de Belém, principalmente do Thiago Castanho, do Restaurante Remanso do Bosque, e meu produto deslanchou;, conta Nema. Ela mora numa casa de madeira com duas filhas, e seu quintal, com uma trilha pela floresta, é aberto aos visitantes.

O passeio para lá pode ser feito na pequena lancha de Eronildo dos Santos Costa, o Nauá, telefone (91) 9918-9876. O preço é de R$ 100 para um grupo de quatro pessoas. Não se esqueça de pedir o colete salva-vidas, que fica no barco, já que ele não é oferecido. Ele também leva turistas para a vizinha Ilha dos Papagaios, com saída de Belém às 4h30 da madrugada, para ver o alvorecer e o voo dessas aves para mais um dia. Mesmo cansado de ver os papagaios durante anos, ele não deixa de vender seu peixe: ;É um passeio de sucesso. Os gringos ficam loucos;, disse. (AD)



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