Ficha suja, tema recorrente

Ficha suja, tema recorrente

Não faltaram referências ao assunto no primeiro confronto televisionado entre os candidatos depois da decisão do TSE de barrar a candidatura de Arruda. Toninho foi o que mais atacou as pretensões do ex-governador de voltar ao poder

» ALMIRO MARCOS » THAÍS PARANHOS
postado em 03/09/2014 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)




Não faltaram referências à Lei da Ficha Limpa nesse que foi o primeiro debate televisionado depois da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na semana passada, que barrou o registro da candidatura do ex-governador José Roberto Arruda (PR). O tema esteve no centro do discurso principalmente de Toninho do PSol, autor da representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra o candidato do PR. Arruda, por sua vez, tentou se defender como pôde e se abrigava na busca de uma discussão mais propositiva. ;É isso que a população quer da gente;, disse. Luiz Pitiman (PSDB), por sua vez, trocou farpas com Toninho e defendeu um Estado mínimo, enquanto o candidato do PSol o apontava como representante dos empresários.
Toninho foi um dos principais críticos no debate, exigindo que Arruda desistisse da disputa. ;A população se sente insegura diante da sua insistência em se tornar candidato. O caminho mais correto seria o seu afastamento.; Diante da persistência de Toninho, Arruda fez uma metáfora futebolística. ;Isso é como um jogo de futebol. Temos juízes para decidir. Um jogador não pode dar cartão vermelho para um adversário;, comparou o ex-governador do DF.

Pitiman também foi bastante atacado por Toninho. Os dois representam campos ideológicos opostos: enquanto o candidato do PSol é declaradamente a favor da ampliação da participação do Estado, o tucano é um liberal e quer levar para a administração pública sua experiência na iniciativa privada. ;O senhor quer governar o Estado como se fosse uma empresa. E as coisas não funcionam assim. Esse modelo está falido;, afirmou Toninho. Pitiman demonstrou irritação e, nas considerações finais, foi irônico. ;Não vou perder o meu tempo com o Toninho do PSol, que já foi Toninho do PT e hoje não sabe o que representa;, atacou.
Já no seu pronunciamento final, Toninho voltou a relacionar Arruda à condenação em segunda instância do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) por improbidade administrativa. ;A Lei da Ficha Limpa é uma conquista da população e não pode ser jogada fora no DF;, afirmou, acrescentando que os eleitores precisam analisar o passado e a trajetória política dos concorrentes. Apesar dos embates, no fim do encontro, Arruda e Toninho conversaram educadamente. O candidato do PR não se abalou com os ataques. Estava satisfeito com a polarização entre os principais adversários ; Agnelo Queiroz, do PT, e Rodrigo Rollemberg, do PSB.

Ironia

Arruda também tentou traçar uma linha divisória entre ele e Pitiman, de um lado, com os demais concorrentes ; Agnelo, Rollemberg e Toninho ; de outro. ;Eu não sou um bom analista político. Mas eles parecem ser bem próximos. Até as roupas que eles escolheram para o debate são parecidas;, ironizou, arrancando gargalhadas do público que acompanhava o confronto em um telão no auditório do Correio.
Alvo dos demais concorrentes ; principalmente Toninho ;, Arruda não recebeu o mesmo tratamento de Luiz Pitiman, que integrou seu governo. Pelo contrário, o tucano, em uma das perguntas, até abriu oportunidade para que o ex-governador do DF fizesse uma crítica a Agnelo e Rollemberg. Os dois, aliás, defenderam um modelo de administração com o Estado menos intervencionista.

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