Pressão por explicações

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Aécio Neves cobra posicionamento de Dilma Rousseff sobre escândalo e ataca critério político para o preenchimento de cargos na Petrobras

MARCELO DA FONSECA
postado em 08/09/2014 00:00
 (foto: Igo Estrela/ObritoNews)
(foto: Igo Estrela/ObritoNews)

BELO HORIZONTE ; O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, voltou à carga e cobrou uma posição contundente da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) sobre as denúncias de um esquema de propinas envolvendo políticos da base do governo na Câmara e no Senado em obras da Petrobras. O tucano participou de evento com lideranças evangélicas em São Gonçalo, na Baixada Fluminense.

O tucano afirmou que a petista não poderá dizer que ;não sabia o que vinha acontecendo;, já que os principais cargos da estatal são ocupados por indicações do PT. ;A marca mais perversa do governo do PT é o aparelhamento do Estado. Eles têm um plano para se perpetuar no poder, causando situações como esta da Petrobras. Os cargos de direção precisam ser ocupados por pessoas sem ligação com partidos políticos e não por pessoas que negociem, troquem favores;, disse o senador.

Ele voltou a se referir ao caso como ;mensalão 2; e disparou contra a gestão petista citando atos de corrupção envolvendo empresas públicas. ;Aguardamos que outras informações possam vir, mas essas denúncias mostram que o mensalão não acabou, ou pelo menos que se criou o mensalão 2 durante todo esse período de governo do PT. As empresas públicas se submeteram a um projeto de poder;, afirmou.

Aécio sugeriu que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa volte a prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instalada no Congresso para dar mais detalhes sobre como funcionava o esquema. Ressaltou que será importante ter ;cautela; ao lidar com as denúncias. ;Não condeno previamente ninguém, mas que existia, segundo o diretor mais importante da empresa, uma organização criminosa funcionando dentro dela durante todo esse período de governo, isso parece que é, segundo a Polícia Federal, um fato inquestionável. É uma empresa que teve sempre atenção muito próxima da presidente da República;, alfinetou o tucano.

Pastores
Na manhã de ontem, Aécio visitou a igreja evangélica Ministério Flor de Lis. Durante a visita, o tucano ouviu os depoimentos de pastores da igreja, ex-traficantes do Comando Vermelho, facção criminosa que atua em vários morros da capital fluminense. O candidato ainda recebeu declaração de apoio dos dirigentes da igreja evangélica e se comprometeu com os cerca de 300 fiéis presentes em ser contrário à legalização do aborto e à descriminalização das drogas.

;Reafirmo meu compromisso, as minhas crenças com estes temas. Nesta luta contra o tráfico, a ideia é colocar em prática um programa de assistência aos jovens de ensino médio entre 15 e 18 anos. O Poupança Jovem deposita um valor na conta desse aluno que, ao fim do período, retira o valor depositado, desde que tenha 80% de frequência das aulas e não tenha qualquer envolvimento com o crime;, disse Aécio. Ao descer o palco, o tucano brincou com o crescimento da candidata Marina Silva (PSB) nas pesquisas, que o colocou no terceiro lugar na corrida presidencial. ;Ainda bem que faltam quatro semanas para a eleição;, disse.


Memória

Um foco de escandâlos

PAULO DE TARSO LYRA

Os escândalos envolvendo a Petrobras ao longo do atual governo vêm por dois caminhos distintos, mas que se cruzam em momentos históricos e são unificados pelo mesmo personagem: Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que está preso em Curitiba e negocia um processo de delação premiada para reduzir a própria pena.

Costa foi preso em março deste ano, durante uma investigação da Polícia Federal para desbaratar uma quadrilha que lavou, de acordo com o inquérito, cerca de R$ 10 bilhões. Nesse ínterim, surgiu a informação de que a presidente Dilma Rousseff avalizou a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, com base em um parecer impreciso elaborado pelo ex-diretor Nestor Cerveró.

Paulo Roberto também foi fundamental para a compra da refinaria pela Petrobras, negócio que causou um prejuízo de R$ 1 bilhão. Os dois escândalos geraram uma guerra entre governo e oposição pela criação de CPIs. Atualmente, existe uma investigação feita por senadores e uma outra comissão mista, composta por senadores e deputados.

Em ambas, a base governista tem maioria e tem ditado o ritmo dos trabalhos. Recentemente, vieram à tona denúncias de que as perguntas direcionadas a diretores e ex-diretores da Petrobras foram combinadas entre os governistas e os depoentes.

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