Liberdade coletiva

Liberdade coletiva

Mariana Vieira
postado em 08/09/2014 00:00
 (foto: Internet/Reprodução
)
(foto: Internet/Reprodução )

A arquitetura é considerada uma das sete grandes formas de expressão artística da humanidade. Para falar sobre arte pela ótica da arquitetura, o projeto Retrato Brasília recebe Vitor Cesar, artista com formação em arquitetura. Natural de Fortaleza, ele reside na capital paulista e estuda a questão do espaço para além da questão física e material, levando em consideração as de dinâmicas da vida cotidiana. Suas obras são, na maioria, intervenções a céu aberto.

Por que os espaços públicos acabam ficando abandonados?
Existem muitas questões ao redor disso. Espaço público não está vinculado ao espaço aberto, exterior. Espaço público pode ser qualquer lugar, na rua, na universidade, na escola, enfim, dentro de qualquer lugar. O que se pode falar de um lugar público é o tipo de relação que se estabelece e pode ser com qualquer lugar. Não sei se tem tanto abandono assim, depende do lugar, da cidade.

Você experimenta a arte na rua, fora dos espaços fechados de galeria?
Considero muito interessante o artista que trabalha com propostas para espaços destinados à arte, mas também são legais os trabalhos que trazem uma linguagem artística, poética, política que pode acontecer em qualquer lugar. Você pode, de alguma maneira, mudar condutas de percepção com a arte do lado de fora.

Qual é a sua opinião sobre Brasília, suas construções arquitetônicas, do modernismo?
Existe uma discussão bem grande sobre o projeto de Brasília. Eu acho que o projeto arquitetônico gerou contradições sociais. Ao mesmo tempo que tem o Plano Piloto, com suas construções que valorizam a figura do homem ; além do elemento do verde, dos gramados, existem as cidades-satélites. Não pensaram na massa de gente que ocuparia o lugar. Mesmo tendo uma relação afetiva com os projetos modernos, eu entendo esses contrastes, na própria noção de espaço público. A cidade foi pensada a partir do carro, que eu acho que não é tão legal.

Mesmo essa questão do carro? Você não acha que estão sendo pensadas alternativas de transporte, como as bicicletas?
Ficou bem claro que o modelo do carro já não dá mais. Cada vez mais os transportes coletivos devem ser pensados no Brasil, além de outras alternativas. Em algum momento a lógica vai ter que se inverter.

Como artista com formação em arquitetura, a questão do espaço influencia sua obra?
Isso é uma coisa muito determinante. A formação da arquitetura tem um pensamento espacial que me conduz até hoje. O espaço é constituído não apenas por uma dimensão física, mas por uma política, estética e outras, econômicas, sociais, enfim. Então eu acho que pensar o espaço a partir de todas essas dimensões é fundamental no meu trabalho, é super importante para mim.

Essa liberdade de criação dentro do espaço público, aberto, é coletiva?
Sim, tem até uma filósofa, Ana Aranda, que diz que a liberdade só pode ser coletiva, até porque se a gente tivesse sozinho, se não houvesse outra pessoa, nem seria possível entender o que é liberdade. No fundo o que te permite a liberdade é o outro. É algo que acontece no campo da política, no sentido mais amplo, não partidária, mas a política que rege o nosso cotidiano.

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