Homem-bomba em sessão secreta

Homem-bomba em sessão secreta

Reunião da CPMI começará aberta, mas, caso Paulo Roberto Costa não queira falar, um acordo será proposto

» NAIRA TRINDADE » EDUARDO MILITÃO
postado em 17/09/2014 00:00
Sem esperanças de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa revele os nomes de políticos que teria mencionado em delação premiada à Justiça, os integrantes da CPMI no Congresso tentarão limitar o acesso à sessão aos parlamentares. O discurso de membros da comissão de inquérito é de que a sessão comece aberta ao público às 14h30 de hoje, mas, se o ex-diretor preferir usar o direito de se calar, os parlamentares devem colocar em votação a possibilidade de limitá-la aos congressistas.

;A sessão vai começar aberta, mas pode se transformar numa secreta mediante a provocação dos parlamentares e acordo com o depoente. Nós vamos provocar para que ele tenha com a CPI a mesma colaboração que está tendo com o Ministério Público e com a Polícia Federal;, afirmou presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Desde segunda-feira, Vital se reúne com políticos da base em Brasília. Ontem, o senador visitou o ministro de relações institucionais, Ricardo Berzoini, no quarto andar do Palácio do Planalto. Vital diz que tratou só das eleições da Paraíba.

Às vésperas das eleições, o desejo da base é que Paulo Roberto se cale hoje para evitar sangrar ainda mais o escândalo da Petrobras. Segundo a revista Veja, o ex-diretor de Refino e Abastecimento da estatal entregou à Justiça pelo menos 32 políticos envolvidos no esquema de corrupção. ;Os envolvidos vão querer desacreditar o depoimento dele até as eleições. Já quem não tem nenhum envolvido vai querer esclarecer a situação;, afirmou um ex-líder no Congresso.

Os dados da movimentação bancária de Paulo Roberto Costa chegaram à CPI. Segundo o relator da comissão, Marco Maia (PT-RS), passaram R$ 70 milhões pelas contas dele entre 2005 e 2014. Para Maia, as relações do ex-diretor não preocupam os partidos.

Nós vamos provocar para que ele tenha com a CPI a mesma colaboração;
Vital do Rêgo, presidente da CPMI



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