Debate vira arena para ataques mútuos

Debate vira arena para ataques mútuos

Presidenciáveis reforçam as críticas aos adversários em evento televisivo promovido pela CNBB. Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves são os alvos preferenciais. Entre os temas abordados, estão crise na Petrobras, corrupção e criminalização da homofobia

AMANDA ALMEIDA ANDRÉ SHALDERS DIEGO AMORIM Enviado especial
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Marcos Bezerra/Futura Press)
(foto: Marcos Bezerra/Futura Press)

Brasília e Aparecida (SP) ; No terceiro debate presidencial destas eleições, promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os três principais candidatos ao Palácio do Planalto ; Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) ; aproveitaram ontem perguntas de bispos, jornalistas e concorrentes nanicos para se atacarem. O confronto indireto mais forte ocorreu entre a petista e o tucano, que classificou as denúncias de corrupção na Petrobras como um escândalo que fez ;o mensalão parecer pequeno;. Na tentativa de aumentar a distância nas pesquisas de intenção de votos entre ela e Marina, Dilma optou por reforçar as críticas à proposta da ex-senadora de dar autonomia ao Banco Central.

Com regras baseadas em sorteio, o debate, que ocorreu no Santuário Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo, acabou não favorecendo o confronto direto entre os três principais candidatos, que não trocaram perguntas em nenhum momento. As questões polêmicas sobre temáticas sensíveis aos religiosos acabaram sendo sorteadas para nanicos. Entre os três concorrentes que estão na liderança da corrida presidencial, segundo as pesquisas, apenas Aécio foi confrontado com uma dessas perguntas. Sobre a proposta de criminalização da homofobia, o tucano disse que ;qualquer tipo de discriminação deve ser crime, entre eles, a homofobia;.

Depois de três blocos com perguntas da presidência da CNBB, bispos e jornalistas ligados à Igreja Católica, os candidatos tiveram a primeira oportunidade de confronto direto na fase final do debate. Aécio foi questionado pelo candidato do PSC, Pastor Everaldo, sobre o escândalo da Petrobras. ;No nosso primeiro debate, eu disse à Dilma que ela tinha uma oportunidade de se desculpar com os brasileiros pela Petrobras, já que ela era a presidente do conselho da empresa. De lá pra cá, outra denúncia surgiu, que fez com que o mensalão parecesse coisa pequena;, atacou Aécio, que foi apoiado no ataque na réplica do Pastor Everaldo.

Corrupção
Dilma pediu direito de resposta e obteve a chance de rebater o tucano. ;Ao longo da minha vida, tive tolerância zero com a corrupção. Quem investigou e descobriu todos os crimes de corrução foi um integrante do governo. E fica claro que não é fácil descobrir um esquema daquele tamanho;, disse a petista. Em todo o debate, o ataque mais contundente de Dilma foi contra Marina. Ao ser sorteada para fazer uma pergunta a Levy Fidelix (PRTB), a presidente perguntou sobre a autonomia do Banco Central, defendida pela ex-senadora. Depois de ouvir a posição contrária do candidato, Dilma aproveitou a réplica para indiretamente atacar Marina.

;A independência do Banco Central é um equívoco. Até porque, a Constituição só fala em independência para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Sou a favor da independência operacional, mas não a ponto de que o presidente e a diretoria não possam ser despedidos;, disse Dilma, ressaltando que ;alguns candidatos; defendem a autonomia. Marina, que estava afônica, não fez ataques mais duros. Questionada por Eymael (PSC) sobre o ;Brasil que temos hoje;, ela voltou a cobrar que os adversários apresentem programa de governo.

Em pergunta ao mesmo candidato, Marina criticou a ;falta de compromisso; do atual governo com a reforma agrária. ;Segundo os movimentos, hoje temos milhares de famílias esperando para receber um pedaço de terra;, disse. Para Aécio, sobrou um ataque da candidata do PSol, Luciana Genro, que o acusou de falar mal do PT, mas ser conivente com casos de corrupção envolvendo o PSDB.

Nos bastidores, houve confusão. Os jornalistas foram impedidos de acompanhar o debate no auditório. Uma repórter diz que foi agredida por um segurança da Presidência da República ao tentar permanecer no local. Antes do encontro, Aécio e outros candidatos lancharam com o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno. Marina não foi para poupar a voz. E Dilma, cuja presença chegou a ser dúvida, chegou em cima da hora do evento.

FRASES

"Sempre tive tolerância zero com corrupção. Quero lembrar ao Aécio que quem investigou e puniu crimes de corrupção foi um integrante do governo: a Polícia Federal e o Ministério Público. Fortalecemos a Polícia Federal, criamos o Portal da Transparência, não escolhemos ;engavetador- geral da República;;
Dilma Rousseff (PT),
candidata à reeleição

"Os brasileiros estão envergonhados e indignados com o que vem acontecendo na mais importante empresa pública do país porque um grupo político, para se manter no poder, permitiu um vale-tudo. Não é possível que o Brasil continue a ser administrado com tanto descompromisso com ética, decência e valores cristãos;
Aécio Neves, presidenciável do PSDB

"Hoje, a reforma agrária está abandonada à sua própria sorte se comparada a governos anteriores. O atual governo assentou 20 mil famílias. O governo Lula assentou 70 mil, o FHC, 60 mil. Queremos assentar 85 mil;
Marina Silva, presidenciável do PSB

"Moradia é uma questão básica para a família. É difícil, mas, se por acaso, eu ganhar esta eleição, eu colocaria alguém para monitorar cada família em área de risco. E começar a colocá-las em local seguro. Defendemos também voltar a ocupar o centro das cidades de uma forma democrática;
Eduardo Jorge, presidenciável do PV

"Entendo que a laicidade é garantia para todas as religiões e para quem não tem religião. As políticas públicas não podem estar subordinadas a nenhuma crença, por isso defendo união civil entre pessoas do mesmo sexo e que é preciso combater a homofobia e a discriminação;
Luciana Genro, presidenciável do PSol

"O Estado está agigantado hoje, aparelhado, foco de corrupção. A família brasileira trabalha hoje mais de 150 dias por ano para pagar impostos. O Estado gasta mais do que arrecada e a dívida vai aumentar. Vamos diminuir o número de ministérios;
Pastor Everaldo, presidenciável do PSC

"O brasileiro, quando sai de casa todos os dias, é assaltado pelo menos três vezes. Para comprar uma pizza, quando vai ao mercado e quando entra para comprar um carro. Se ele entra no banco, é assaltado de novo. São todos (os candidatos) aqui representantes de banqueiros e sonegadores;
Levy Fidelix, presidenciável do PRTB

;Sou totalmente contra (a discriminalização). A maconha é a porta de entrada para outras drogas. Temos uma juventude assassinada pelas armas e pelas drogas, que entram livremente pelas fronteiras desguarnecidas do país;
Eymael, presidenciável do PSDC

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