Bolsa dispara com cenário eleitoral

Bolsa dispara com cenário eleitoral

Perspectiva de piora da presidente Dilma Rousseff na corrida pela Presidência faz ações de estatais, como Petrobras e Eletrobras, dispararem. Bovespa fecha com valorização de 2,01% e giro financeiro de R$ 10 bilhões. Dólar recua 0,65%

» Simone Kafruni
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Spencer Platt/AFP - 1/8/14)
(foto: Spencer Platt/AFP - 1/8/14)


O mercado antecipou a expectativa de nova pesquisa eleitoral e, em meio a especulações de que a disputa entre Marina Silva e Dilma Rousseff à Presidência da República está cada vez mais acirrada, reagiu de forma positiva ontem. O dólar caiu 0,65%, interrompendo uma série de seis altas seguidas e voltou ao patamar de R$ 2,328. A Bolsa de Valores de São Paulo (BM) ultrapassou a barreira dos 60 mil pontos, com valorização de quase 4% ao longo do dia, e fechou o pregão com alta de 2,01% aos 59.114 pontos, com giro de R$ 10 bilhões.

Num mercado volatilizado pela corrida presidencial, o kit eleição ; ações de estatais como Petrobras e Eletrobras, e de bancos, mais suscetíveis à mudança de governo ; puxou a alta na Bovespa. Os papéis preferenciais (PN) da Petrobras tiveram alta de 5,16%, e os ordinários (ON) subiram 4,42%. Na máxima do dia, as ações da petroleira superaram 8% de ganho, com as PNs batendo recordes de movimentação, ao superar R$ 2 bilhões, o maior giro desde o anúncio da descoberta do pré-sal. As ações ON ficaram em terceiro lugar dentre as mais negociadas do dia, com R$ 602 milhões. Juntos, os papéis da Petrobras responderam por 27,5% do volume da bolsa.

Eletrobras também teve ganhos, com a segunda maior alta do dia, de 5,77%, atrás apenas dos papéis da Oi, que se valorizaram 9,27%. Na avaliação do analista da Ativa Corretora Lucas Marins, a operadora de telefonia ganhou valor de mercado depois de especulações de uma possível fusão com a concorrente TIM. ;Houve rumor em jornais italianos de que a Telecom Italia estaria disposta a fazer uma aliança com a Oi;, explicou. As ações da tele italiana no Brasil tiveram forte queda ontem, de 4,43%, o maior tombo do dia na Bovespa.

Os papéis de bancos privados reagiram bem a uma disputa mais acirrada entre Dilma e Marina. ;As instituições financeiras já mostraram que não querem a reeleição da presidente. Qualquer movimento de recuo de Dilma nas pesquisas ,os papéis sobem;, destacou Jason Vieira, economista do portal de informações financeiras Moneyou. Para Lucas Marins, da Ativa, os bancos privados se ressentem das tarifas menores praticadas pelas instituições estatais a mando do governo. ;Por isso, as ações deles sobem quando se especula que a presidente pode cair nas pesquisas;, justificou.

Câmbio
Em Nova York, o movimento foi de alta nos três principais índices. Dow Jones subiu 0,59% a 17.132 pontos, enquanto S 500 se valorizou 0,75% a 1.999 pontos. O Nasdaq teve a maior alta com 0,80% de valorização, a 4.555 pontos. Já a moeda norte-americana, no Brasil, sofreu a primeira queda em seis dias de altas seguidas, depois que o mercado se acalmou com a possibilidade de Marina Silva fazer frente a Dilma Rousseff no segundo turno. O dólar foi cotado ontem a R$ 2,328, uma queda de 0,65%. Na semana, a queda é de 0,28%, mas, no mês, a alta acumulada é de 4%.

Na avaliação de Vieira, todo o movimento do mercado agora é pautado pelo quadro eleitoral. ;Daqui até as eleições, vai ser assim. Efeito político direto nos altos e baixos tanto do dólar quanto da bolsa. Sempre no sentido de o mercado se tranquilizar quando Dilma cai e de ficar nervoso quando ela sobe nas pesquisas.;

Para o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo, além do quadro eleitoral, a expectativa sobre a reunião do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), também colaborou para o câmbio ontem. O Fed deve oficializar hoje que não há intenção de aumentar o juros praticados na maior economia do mundo até o fim de 2015. ;O mercado especulava que o Fed pudesse mudar a política monetária antes do esperado, mas os indicativos são de que tudo vai permanecer como está e isso ajudou a controlar os ímpetos da moeda norte-americana;, disse Galhardo.

O gerente de câmbio explicou que os investidores também continuaram atentos ao Banco Central (BC) brasileiro e à possibilidade de a autoridade monetária aumentar sua atuação. ;O BC tem colocado 6 mil contratos diários no mercado e houve especulação de que poderia aumentar a venda para rolagem;, ressaltou.


; Contas de Eike bloqueadas

A Justiça determinou ontem o bloqueio das contas de Eike Batista, depois que o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o empresário por crimes financeiros. O juiz Flávio Roberto da Costa, titular da 3; Vara Criminal da Justiça Federal, expediu uma medida cautelar para cumprir parcialmente o pedido de arresto dos bens de Eike e familiares no valor de até R$ 1,5 bilhão. Eike Batista tem prazo de 10 dias para apresentar sua defesa. A medida cautelar que determina o arresto de bens é cumprida automaticamente pelo Banco Central, explicou o juiz.

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