Inflação ganha força

Inflação ganha força

» BÁRBARA NASCIMENTO » RODOLFO COSTA
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 24/7/14)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 24/7/14)


Um dos principais desafios do atual governo na corrida eleitoral, a inflação não dá sinais de que vai ceder. Ontem, além da aceleração do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que fechou a segunda quadrissemana de setembro com elevação de 0,39%, a maior desde junho, um estudo divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostrou uma mudança de hábito dos brasileiros, que está atrelada à alta da inflação. Segundo pesquisa da Kantar Worldpanel, as famílias, principalmente as da classe C, reduziram as visitas aos supermercados em 10,5%.

O costume adquirido durante o período de preços estáveis de evitar o estoque e ir ao mercado toda vez que faltar alguma coisa está sendo abandonado. O consumidor brasileiro, com a sensação de que os produtos têm encarecido, vai menos vezes às compras. Apesar dessa mudança de hábito, o volume médio de produtos adquiridos permanece estável, em 0,5%, já que as compras são feitas em maior volume. Na comparação com 2013, no primeiro semestre deste ano os consumidores da classe C fizeram seis visitas a menos aos supermercados. Os consumidores de classe A e B fizeram três visitas a menos.

Combustíveis

Não à toa, a sensação dos consumidores é de que a carestia se manterá. A alta do preço dos combustíveis demonstrada no IPC-S tem reflexos em outros setores. Entre a primeira e a segunda quadrissemana, o etanol saiu de uma queda de 0,05% para um aumento de 0,96%; e a gasolina de -0,31% para 0,46%. ;Notamos uma aceleração e tanto, que pode se perpetuar nas próximas divulgações. A alimentação, um dos fatores que mais influenciam no resultado, deve acelerar até o fim do ano, com alguns períodos de estabilidade em novembro;, observou o economista César Esperandio.

O resultado do período fez com a Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela divulgação do IPC-S, revisasse a expectativa para o indicador deste mês de 0,3% para 0,5%. A aceleração da semana foi puxada, sobretudo por habitação (0,46%), alimentação (0,43%), e transportes (0,28%). Na primeira quadrissemana de setembro, a alta foi de 0,21%. Há quatro semanas, de 0,06%.

Entre as preocupações dos especialistas, está a recente alta do dólar. Para o economista da consultoria LCA, Étore Sanches, a variação do câmbio afeta diversos elementos que compõe o cálculo de inflação. ;Primeiro, impacta diretamente os produtos importados, e, sobretudo, o combustível. Com isso, o transporte é afetado;, analisou.



; Serviços desaceleram

O setor de serviços teve o menor crescimento da série histórica em julho. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve alta nominal de 4,6%, contra elevação de 5,8% em junho, e 6,6%, em maio. No ano, a receita dos serviços acumula alta de 7% e, em 12 meses, de 7,6%, também os mais baixos da série. A redução no consumo das famílias e o menor dinamismo da economia são apontados por técnicos do IBGE como os responsáveis pelo resultado. A principal contribuição para a desaceleração em julho veio de serviços de informação e comunicação, que variou 2,1%, contra 5,7% em junho. O segundo maior impacto foi registrado no item transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, que apresentou variação de 4,6% no mês, enquanto que em junho foi de 4,7%.


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