(Des)civilizados

(Des)civilizados

rodrigo craveiro rodrigocraveiro.df@dabr.com.br
postado em 17/09/2014 00:00


Somos todos civilizados. Pura falácia. Nossas ações contradizem a noção exata de civilização. Vez ou outra, adotamos comportamentos animalescos. Na China, um idoso morreu após discutir com um jovem que lhe recusou o assento preferencial dentro de um ônibus. Ação semelhante é vista diariamente no transporte coletivo de Brasília. Quantas vezes jovens e adultos se fazem de desentendidos e ocupam locais reservados por lei? Desviam o olhar para evitar a censura alheia. Ante a dificuldade em encontrarem estacionamento, ocupam a vaga de deficientes físicos e vão às compras no shopping. E aqueles sujeitos que se julgam os donos da rua e param o carro atravessado, bloqueando a saída de outros veículos? Como se o prejudicado tivesse a obrigação de aguardar o infrator saciar os prazeres em bares ou cumprir algum compromisso.

;Sabe com quem está falando?; Talvez não exista frase mais egocêntrica, prepotente e pueril. Aqueles que a adotam para obter vantagens menosprezam o próximo e se colocam num patamar que não lhes cabe. Quase sempre não passam de coitados deslumbrados pelo poder e pelo status financeiro. Esquecem-se de que um dia a morte chega e iguala todos os seres humanos. Dessa vida nada se leva. Apenas se deixam bons exemplos e virtudes. Esses serão lembrados como supérfluos e descartáveis. O que dizer, então, daquelas ;pessoas; que se armam com uma inexistente supremacia racial para humilhar, espezinhar e degradar? De modo inconsciente ; ou não ;, respaldam a xenofobia e a limpeza étnica, corroboram o pensamento hitleriano. Creem que são superiores por terem a cor da pele diferente. Não conseguem enxergar a própria cegueira e insignificância.

Em nome de Deus, algumas pessoas também massacram e violam a fé alheia. Em Sacramento (MG), há dois meses um evangélico invadiu uma igreja e quebrou várias imagens de santos. O mesmo ocorreu com as estátuas dos orixás na Prainha do Lago Paranoá, que sofreram vandalismo entre 2002 e 2005. No Rio de Janeiro, um aluno de 12 anos foi impedido de entrar na escola municipal que frequenta por usar guias (colares) de candomblé. Intolerância que atropela a razão e a laicidade do Estado. Por esses exemplos e tantos outros, a humanidade precisa reencontrar o humanismo. Ou será tragada por si mesma.


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