Dilema para Obama

Dilema para Obama

Chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos contraria o presidente e admite que poderá recomendar o envio de tropas para enfrentar o Estado Islâmico, caso os ataques aéreos não sejam suficientes para derrotar os jihadistas

GABRIELA FREIRE VALENTE
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Reuters)
(foto: Reuters)





Apesar de o presidente Barack Obama ter descartado ; reiteradas vezes ; o envio de tropas para a ofensiva contra o grupo extremista sunita Estado Islâmico (EI), a presença de soldados americanos no Iraque em missão de combate é uma opção considerada pela cúpula militar dos Estados Unidos. Em encontro com congressistas, o general Martin Dempsey, chefe de Estado-Maior Conjunto, admitiu que poderá sugerir a Obama o engajamento de tropas no terreno, caso não obtenha sucesso a estratégia inicial, baseada em ataques aéreos dos EUA e aliados para apoiar forças locais.

Dempsey reafirmou aos senadores que o plano delineado, cujo pilar é uma ampla coalizão incluindo países árabes e europeus, ;é a forma apropriada de avançar;. O general ponderou, no entanto, que ;se isso não se demonstrar verdadeiro;, e ;se houver ameaças aos EUA;, ele poderá ;voltar a conversar com o presidente e fazer recomendações que poderiam incluir o uso de tropas em solo;. A reunião se seguiu aos primeiros bombardeios americanos contra posições do EI nos arredores da capital iraquiana, Bagdá. No mesmo dia, os jihadistas demonstraram sua capacidade militar abatendo um avião militar na Síria, onde lutam contra o regime do presidente Bashar Al-Assad.

A Câmara dos Deputados deve votar hoje uma resolução que autoriza Obama a armar e treinar rebeldes sírios considerados moderados, como parte da estratégia contra o EI. O secretário de Defesa, Chuck Hagel, afirmou que os bombardeios em território sírio terão como alvo ;santuários dos jihadistas;. Embora Hagel tenha afirmado que os extremistas ;não estarão seguros em lugar algum;, o chefe do Estado-Maior frisou que a operação não será semelhante aos amplos bombardeios que precederam a invasão do Iraque, em 2003. Segundo o general, a campanha contra o EI será ;persistente; e poderá contemplar o envio assessores militares para auxiliar o Exército iraquiano.

A audiência da cúpula militar no Senado foi interrompida em diversos momentos por ativistas contrários ao engajamento militar no Iraque. Medea Benjamin, cofundadora da organização CodePink, afirmou ao Correio que os manifestantes pretendem acompanhar de perto as articulações no Congresso. ;Acreditamos que a intervenção americana é contraproducente. As intervenções americanas dos últimos 13 anos levaram apenas à expansão desses grupos do Afeganistão para outros países da região;, argumentou. A ativista, que esteve no protesto, defende esforços internacionais para encontrar uma solução política para a crise e sustenta que a contenção do EI deva ficar a cargo de forças locais.

Bombardeios
Cerca de 300 assessores militares americanos já apoiam as tropas iraquianas, e mais de 160 ataques aéreos foram lançados contra posições do EI no país. Ontem, foram pelo menos cinco, três deles nos arredores da capital. O início dos ataques em território sírio não havia sido definido até o fechamento desta edição. Marie Harf, vice-porta voz do Departamento de Estado, reiterou que os EUA ;não coordenarão; ações com o regime de Damasco. A imprensa estatal síria, porém, indicou que Al-Assad esteve reunido com conselheiros de segurança iraquianos para tratar da ofensiva contra o EI.

Segundo a agência de notícias Reuters, os ataques aéreos forçaram os jihadistas a se recolherem em seus redutos na Síria. Na cidade de Raqqa, fronteiriça ao Iraque, os extremistas derrubaram um avião militar que, segundo relatos, preparava um ataque a posições rebeldes. De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, o avião caiu sobre uma casa e deixou mortos e feridos. Moradores relataram o deslocamento diário de armas e combatentes desde o anúncio do plano de ação, feito por Obama no último dia 10. Os militantes do EI também diminuíram a atividade nas redes sociais.

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