Promessa de mais poder

Promessa de mais poder

Na tentativa de impedir a vitória dos separatistas no referendo de amanhã, líderes de partidos britânicos oferecem a ampliação do protagonismo de Edimburgo no parlamento de Londres

LUCAS FADUL
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Russell Cheyne/Reuters)
(foto: Russell Cheyne/Reuters)





Na tentativa de impedir a separação da Escócia, os líderes dos três principais partidos políticos britânicos ofereceram mais poderes ao governo de Edimburgo no Parlamento de Londres. Em carta conjunta ; assinada pelo primeiro-ministro, David Cameron; pelo liberal Nick Clegg; e pelo trabalhista Ed Miliband ;, eles asseguraram dar início, na próxima sexta-feira, ao processo para ampliar as atribuições políticas escocesas caso a população opte pela permanência. Cerca de 4,2 milhões de pessoas com mais de 16 anos residentes no país estão habilitadas a votar amanhã no referendo que pode pôr fim a 307 anos de união. Por sua vez, políticos europeus advertiram o separatista Alex Salmond, chefe de governo local, de que a adesão da Escócia independente à União Europeia (UE) levaria, no mínimo, cinco anos.

Com o título de O juramento, a carta escrita por Cameron, Clegg e Miliband estampou a primeira página do jornal local Daily Record. ;O Parlamento escocês é permanente, e os novos vastos poderes serão concedidos por um processo e um calendário acordado por nossos três partidos, começando em 19 de setembro;, indicaram os três líderes. ;As pessoas querem mudanças. A vitória do ;não; traria mudanças melhores, mais seguras e mais rápidas que a separação;, completa o documento. Em resposta à oferta de Londres, um porta-voz da campanha pela divisão disse que ;a única maneira de garantir que a Escócia conquistará todos os poderes de que precisa é votando ;sim; na quinta-feira;.

Duas novas pesquisas divulgadas ontem revelam uma pequena vantagem para a permanência do país no Reino Unido. Uma sondagem da empresa ICM dá 45% para o ;não; contra 41% para o ;sim;, além de 14% de indecisos. O instituto Opinium prevê 49% para a manutenção do atual status quo, 45% para a independência e 6% de indecisos. O escritor escocês Lance Black, 59 anos, teme uma vitória do ;sim;. ;Pessoalmente, eu acho o nacionalismo desagradável: é mesquinho e insular, além de criar conflitos e divisões;, opinou ao Correio. Perguntado sobre os possíveis benefícios econômicos decorrentes da independência, o escritor residente em Aberdeen disse que, ;se não está quebrado, não conserte;. ;Há uma forte possibilidade de um colapso econômico se a Escócia deixar o Reino Unido, que possui uma economia muito estável. Não vejo razão para mudar isso;, concluiu.

;A principal razão para votar ;sim; é que possamos ter o controle do nosso próprio país;, afirmou ao Correio o professor de matemática David Forbes, 27 anos. ;Mesmo que Westminster fosse um sistema político justo e honesto, não poderia sempre tomar as melhores iniciativas para a Escócia, pois isso comprometeria outras decisões que atendem a todas as diferentes partes do Reino Unido;, ponderou David. ;Em uma Escócia independente, cada decisão tomada seria feita no melhor interesse do país sozinho.;

Em artigo publicado ontem em seu site, o Stratfor Global Intelligence, o cientista político George Friedman afirmou que a Inglaterra e a Escócia são inimigos históricos. ;Seu senso de nações concorrentes remonta a séculos, e a ocupação da mesma ilha fez com que lutassem muitas guerras. Historicamente, eles desconfiavam uns dos outros, e cada um deu ao outro um bom motivo para a desconfiança;, escreveu o especialista. ;Precisamos de uma estrutura intelectual mais profunda para entender por que o nacionalismo escocês tem persistido;, completa.

Adesão
As pretensões de Salmond de iniciar o processo de adesão à UE ;de dentro do bloco; foram refutadas por políticos da Europa. Inigo Mendez de Vigo, ministro da Espanha para Assuntos do Continente, rejeitou o plano do líder separatista e assegurou que, caso o ;sim; vença, o país deverá seguir o mesmo caminho dos demais. Para Inigo, ;uma Escócia independente está sujeita a esperar cinco anos até a adesão, para, então, poder se candidatar à utilização do euro;. Na Itália, o presidente da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Gianni Pitella, rechaçou direitos automáticos ao país se a divisão for definida.

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