Para quem quer fiscalizar

Para quem quer fiscalizar

postado em 17/09/2014 00:00
O celular foi a ferramenta escolhida pelo professor de computação Diego Aranha para dar aos eleitores o poder de fiscalizar as eleições deste ano. Você fiscal é um app que permite a quem vai votar, ao fiscal de partido ou até mesmo aos mesários atuarem como auditor do sistema de urnas eletrônicas e evitar que haja erros da computação dos votos. O programa, que recebeu financiamento de R$ 65 mil por crowdfunding, estará disponível para usuários com o sistema Android e poderá ser usado por qualquer um que esteja interessado em participar da fiscalização independente e coletiva.

O sistema usa como base as provas que cada zona eleitoral produz depois das votações: uma é a eletrônica, transmitida ao TSE para a contagem dos votos; a outra, um relatório impresso em papel, que fica afixado na seção eleitoral. A ideia é que o cidadão fotografe esse boletim impresso e envie o arquivo para o sistema do Você fiscal. Com as imagens já na nuvem, o programa usa o reconhecimento de caracteres para interpretar as fotografias e compara os números com os divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), três dias depois da votação.

;O grande obstáculo é o cuidado ao usar o app. Ele exige treino e atenção, e ajuda o usuário a tirar uma série de fotos com a sobreposição de 20%. As pessoas têm de treinar e, para isso, estamos preparando o ensaio do uso da plataforma uma ou duas semanas antes da eleição;, ressalta o inventor, que é professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os internautas também poderão acessar o sistema pelo site do aplicativo para enviar fotos tiradas com câmeras digitais ou celulares.

Cobertura
Nesta semana, o site do app vai disponibilizar uma plataforma para que os fiscais voluntários anunciem quais seções eleitorais desejam fiscalizar, permitindo que as pessoas se organizem de maneira autônoma e cubram o maior número de locais possível. O projeto deve publicar a comparação dos dados oficiais e dos registrados pelos fiscais independentes cerca de um mês depois das eleições. As informações não terão caráter oficial, mas servirão para atestar a confiabilidade do sistema oficial e podem ser consultadas pelos órgãos oficiais, em caso de erro detectado.

Diego Aranha considera que a fiscalização dos eleitores tem importância ainda maior este ano, pois o TSE não promoveu o tradicional teste público que certifica o bom funcionamento das urnas eletrônicas. ;Não queremos competir com o TSE. Queremos analisar, fazer comparações;, ressalta. Nas eleições passadas, o professor integrava a equipe da Universidade de Brasília (UnB) que encontrou a primeira falha nas urnas. O erro de programação permitia a um invasor descobrir a ordem em que cada voto foi computado, comprometendo, assim, o sigilo dos eleitores. (RM)

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