Os EUA reforçam combate ao ebola

Os EUA reforçam combate ao ebola

postado em 17/09/2014 00:00

País mais atingido pelo surto de ebola que assola a África Ocidental desde dezembro, a Libéria sediará um centro de operação norte-americano de combate à doença. Ontem, o presidente Barack Obama anunciou o envio de 3 mil militares, incluindo médicos, à região ameaçada pelo vírus letal, além da construção de 17 centros de tratamento e a capacitação de trabalhadores da saúde.

;Essa epidemia vai piorar antes de melhorar (;) Mas, agora, o mundo ainda tem a oportunidade de salvar vidas e essa é uma responsabilidade que abraçamos;, disse o presidente, durante visita ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em Atlanta, onde se reuniu com médicos que voltaram de áreas ameaçadas pelo vírus. Os EUA também apresentaram aos 14 sócios do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) um projeto de mobilização dos governos para conter a doença. O texto, que deve ser adotado em uma reunião de emergência do conselho marcada para amanhã, considera que ;o crescimento sem precedentes da epidemia representa uma ameaça à paz e à segurança internacionais;.

Obama pediu ao Congresso a aprovação de uma verba adicional de US$ 88 milhões, elevando o montante da ajuda para US$ 250 milhões. A União Europeia pretende desbloquear cerca de 150 milhões de euros e pede a seus países que aumentem as contribuições até o fim deste mês. E o Banco Mundial aprovou ontem a doação de US$ 105 milhões. A ONU estima que será necessário em torno de US$ 1 bilhão para conter a doença, o dobro do valor calculado pela entidade há menos de um mês.

Os números do ebola indicam a urgência do apoio internacional. De acordo com o último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), o mais grave surto da febre hemorrágica já matou 2.461 pessoas dos 4.985 casos confirmados, sendo que quase metade dos registros ocorreu nos últimos 21 dias. A agência prevê que 20 mil pessoas serão infectadas até o fim do ano, sendo 16% em Guiné, 40% na Libéria e 34% em Serra Leoa. ;Os números podem permanecer contidos na casa das dezenas de milhares de pessoas, mas isso requer uma resposta rápida;, declarou o Bruce Aylward, vice-diretor-geral da OMS.

Ajuda médica
Também ontem, a China anunciou o envio de mais 59 especialistas a Serra Leoa, aumentando para 174 os profissionais de saúde no país. Epidemiologistas, médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório estão entre os membros da equipe. Cuba prometeu, na semana passada, o envio de 165 profissionais.

Guiné, Libéria e Serra Leoa concentram a maioria dos casos da epidemia e, segundo Valérie Amos, diretora de Operações Humanitárias da ONU, a capacidade dos três países de responder às necessidades básicas da população ;chegou a um ponto em que começa a afundar;. Joanne Liu, presidente dos Médicos Sem Fronteiras, diz que os centros de saúde ;não estão mais operacionais;. ;Enquanto milhares de pessoas morrem de ebola, muitas outras morrem como resultado de outras doenças.; A OMS calcula que 22,3 milhões de pessoas vivem nas regiões em que o vírus se manifesta e precisam de ajuda.

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