Quando o nome é a estratégia

Quando o nome é a estratégia

Diante do grande número de candidatos a distritais e do pouco tempo de tevê e rádio, alguns concorrentes recorrem a apelidos curiosos na tentativa de chamar a atenção dos eleitores. A irreverência é uma das principais características

» ISA STACCIARINI
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Facebook/Reprodução)
(foto: Facebook/Reprodução)
De super-heróis a personalidades famosas, lutadores, jogadores de futebol e artistas. Entre os que pleiteiam uma vaga na Câmara Legislativa (CLDF), estão candidatos que despertam a atenção pelo nome escolhido para as eleições de 2014. Os personagens, até então anônimos aos olhos do público, ganham destaque com pseudônimos curiosos. Para sobressair entre os 1.027 postulantes ao cargo de distrital, pelo menos 34 deles investem em apelidos na tentativa de assumir um dos gabinetes da casa legislativa. Valem a irreverência e a inovação.
Pela primeira vez, Gizeli Silva Figueiredo, 36 anos, tenta se eleger ao cargo de deputada distrital com o nome de Mulher Maravilha (PSH). O apelido é usado pela moradora da Asa Norte há pelo menos 10 anos. No mundo virtual, Gizeli é conhecida pelo pseudônimo criado quando ainda vendia suplementos alimentares. Hoje, ela atua como diretora de projetos sociais da Associação de Judô Ismar Sirley & Jacob, mas o nome continuou como marca da judoca. ;Vou lutar por causas que as pessoas julgam impossíveis. Todos somos heróis, passamos por lutas diárias e precisamos vencer sempre. Minha plataforma política tem como base a educação e os direitos humanos. Meu objetivo é trabalhar a educação para crianças e jovens;, afirma.

Nas urnas, Gildernir Rodrigues Monteiro, 63 anos, também inovou. Por gostar de rock e ser filha de índio da tribo Carajás, a servidora pública optou por ser a candidata Índia Roqueira (PV) na corrida por uma das 24 vagas na CLDF. Moradora de Ceilândia, Gildenir é motociclista e tem uma tatuagem do partido na perna esquerda. ;Sou roqueira e tenho sangue de índia, saí da tribo com 14 anos, e os meus colegas me levaram a amar o rock. Estou pronta para defender e lutar pelo povo. Minha bandeira é a defesa dos direitos humanos e, caso eleita, vou inaugurar um salão comunitário para barba, bigode, unha e cabelo a R$ 1,50. Meu objetivo é defender também toda a comunidade indígena do DF e do Entorno;, promete.
Wesley Oliveira Nascimento, 31 anos, o Feijão (PPL), tenta pela segunda vez consecutiva a candidatura para distrital. Auxiliar administrativo, ele escolheu o nome que usará nas urnas por causa do apelido de infância. Em 2010, Wesley também tentou ser eleito com esse pseudônimo. Na época, teve 1,2 mil votos. ;Um dia, quando pequeno, começaram a me chamar de Feijão. O nome pegou e hoje todos me chamam assim. Minha política é investir na juventude, com cursos profissionalizantes, internet grátis e melhoria na educação. Acredito na política como grande sistema de transformação;, ressalta.

Exterminador

Em Planaltina, Ivanildo Pereira Duarte, 59 anos, é conhecido apenas como Magal Exterminador de Insetos (PTdoB). O candidato exótico tenta pela terceira vez a eleição para distrital. Em 2006, ele conquistou 1.925 votos e, há quatro anos, recebeu o apoio de 2.905 eleitores. Com um lema também diferenciado, Magal se orgulha do nome nas urnas. ;O nosso lema é estarmos juntos e misturados. O meu apelido já é conhecido em Planaltina e Formosa (GO). Eu me orgulho de levar Magal Exterminador de Insetos pela terceira vez às urnas. Carrego o nome desde que entrei no ramo da dedetização;, destaca. ;Meu projeto é o que o povo quer, é lutar pela população. Arapoanga, em Planaltina, precisa de um ponto de ônibus e limpeza pública. Minha vitória está nas mãos de Deus;, afirma.

Pela primeira vez, o advogado Christian Soares Silva, 39 anos, está entre os candidatos com pseudônimos inusitados que tentam uma vaga na Câmara Legislativa. Com o apelido de Mão Santa (PRTB), o morador da Asa Norte usa, há pelo menos 10 anos, o nome de guerra dado pelos próprios clientes. ;O Mão Santa surgiu em razão dos processos, pois aquilo que eu pegava conseguia dar celeridade. Caso eleito, vou investir na educação, levando às escolas públicas do DF curso preparatório para concurso. Todos precisam ter a mesma chance, e a igualdade começa com o Estado, que tem de dar condições a todos por igual;, revela.
Quem também tenta vender o próprio peixe com apelido curioso é Roberth Mytchuwm Machado Rego, 53 anos. Como Kalango Corredor (PPS), ele se candidatou pela primeira vez a deputado distrital. Corredor de rua, Roberth se considera um exemplo de superação. Por 15 anos, ele fumou cerca de 30 cigarros por dia. ;É um apelido exótico. Kalango porque, quando pequeno, eu brincava com os bichos do cerrado, e corredor pela minha função desde 2002. Tenho 416 corridas completadas. Por três vezes, já fui à São Silvestre e conquistei, ao todo, 169 troféus. Sou exótico inclusive por ter 209 tatuagens e alargador (de orelha) número 24;, destaca. ;Caso ganhe, vou brigar pela categoria do esporte, pela cultura e pela saúde. Também vou lutar por todos os tatuadores e tatuados;, conclui.

Marreta e chorumela

O nome de Telma Gomes (DEM), 55 anos, nas urnas não é inusitado, mas a campanha televisiva desperta curiosidade. Como tinha apenas sete segundos de apresentação, a empresária decidiu inovar e optou pela irreverência. Segundo ela, a ideia da batida da marreta na madeira é para chamar a atenção. ;Pensamos em construir essa ideia para despertar a atenção para um assunto que é sério. O deputado é eleito para servir ao cidadão e tem que trabalhar sem choro nem vela. De sete segundos de apresentação, ganhei mais três segundos do meu partido;, conta. Telma tenta a candidatura pela primeira vez e faz campanha, especialmente, na Rodoviária. ;Paro em cada fila de passageiros, quatro dias por semana. Fico lá das 6h30 às 10h com a marreta na mão. Uma das minhas principais bandeiras é ouvir as pessoas, combater o crime e a injustiça social;, afirma.


OS concorrentes EXÓTICOS

; Affonso Simples Assim (PTC)


; Magal Exterminador de Insetos (PTdoB)
; Pinto Rodoviário (PSL)
; Singo (Pros)
; Rock Malboa (PTC)
; Tatu (DEM)
; Scott Knynbw (PSL)
; Lula (PTdoB)
; Iraci Saboia Mulher do Iogurt (PPS)
; Xuxa (PTC)
; Índio Segurança (PMDB)
; Janice Gomes Veinha do Paranoá (PRTB)
; Salve Jorge (PRTB)


; Feijão (PPL)
; Montanha (PSDB)
; Nasa Garçom (PSDB)
; Pedreira Neles (PV)


; Índia Roqueira (PV)
; Zezão do Povão (PSC)
; Zé Gatão (PMDB)
; Veinho Vendedor (PDT)
; Jussara com 2ss (PEN)
; Iti (PPS)
; Sabata (PSDB)
; Pepa (PHS)
; Kalango Corredor (PPS)
; Som (PSD)
; Aposentado (PP)
; João Galinha (PSL)
; Jararaca (PRB)


; Mulher Maravilha (PHS)
; Jabá (PRTB)
; Jucykete (PEN)


; Mão Santa (PRTB)

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