A bênção de Glauber no Festival de Brasília

A bênção de Glauber no Festival de Brasília

YALE GONTIJO RICARDO DAEHN JULIANA FIGUEIREDO PAULA BITTAR ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Em cerimônia para convidados, uma exibição do clássico restaurado Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, abriu ontem o 47; Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A homenagem pelos 50 anos de lançamento do filme contou com a presença de dois filhos do cineasta: Paloma Rocha e Henrique Cavalleiro. Até o dia 23, serão apresentados seis longas e 12 curtas-metragens na Mostra Competitiva. Todos concorrem ao Troféu Candango em várias categorias e a prêmios em dinheiro.
A produtora, curadora e programadora Ana Arruda definiu em poucas palavras o cinema de Glauber. ;O diretor levanta questões viscerais autênticas. De certa forma, são fundamentos para o conceito do próprio festival, já que o aspecto político e questionador é a base do evento;, disse.


Paloma Rocha foi uma das responsáveis pela restauração de Deus e o diabo na terra do sol. ;É um barato poder abrir o festival com esse filme, de baixo orçamento, feito com cinco pessoas no meio do sertão. É uma grande prova do potencial do cinema brasileiro;, disse a filha do cineasta.


;Acho extremamente forte e lógica essa homenagem para um cineasta que rompeu todas as barreiras do cinema mundial;, refletiu Helena Ignez, mulher de Glauber Rocha nos anos 1960. Ela se lembrou que, em 1963, estava recém-separada do diretor, mas foi indiretamente representada no filme exibido ontem no Cine Brasília. ;Cantei com Maria Gladys no coro das músicas de Sérgio Ricardo. Depois da superação do fim da relação, nutrimos uma profunda amizade recíproca;, concluiu.


O cineasta Vladimir Carvalho destacou o peso das homenagens que pautam o festival deste ano. ;Acho que faz todo sentido o festival valorizar essa coincidência história dos 50 anos do golpe militar e dos 50 anos de Deus e o diabo na terra do sol. Há alguns anos, existe um movimento do festival em retomar as duas origens mais nobres;, apontou Vladimir Carvalho.

Golpe de 64
O aniversário do golpe militar também foi relembrado por Hamilton Pereira, secretário de Cultura do DF. ;Assim como fizemos uma bienal do livro, abrimos espaço dentro do Festival de Brasília para a reflexão desses acontecimentos traumáticos do golpe militar na capital federal, usando a linguagem cinematográfica. Por isso, resolvemos homenagear um homem, (o documentarista) Eduardo Coutinho, e uma obra, Deus e o diabo na terra do sol;, afirmou o secretário.


O ator Jonas Block participa do evento com o filme Cabra Cega, que será exibido na Mostra Paralela Reflexos do Golpe. O veterano em participações em Brasília relembra a importância do festival brasiliense. ;É um evento que faz parte da história do cinema brasileiro. É aqui que trocamos informações sobre o cenário da produção nacional. É importante que o festival tenha escolhido mostrar a pujança do cinema contemporâneo em todos os seus estilos e tendências;, descreveu o ator.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação