Longe da guerra

Longe da guerra

Vice-líder da Série A, o São Paulo enfrenta o Coritiba, que tenta fugir do rebaixamento. Para o tricolor, jogar fora de casa é uma chance de se afastar um pouco da crise política que incendeia o Morumbi

postado em 17/09/2014 00:00
 (foto: São Paulo FC/Reprodução)
(foto: São Paulo FC/Reprodução)


O time do São Paulo chega em situação confortável à 22; rodada no Campeonato Brasileiro, com duelo às 22h de hoje contra o Coritiba. Vice-líder da classificação, o elenco vem embalado pela vitória por 2 x 0 sobre o Cruzeiro, no domingo, quando diminuiu de sete para quatro a vantagem dos mineiros. Além disso, o adversário dos paulistas nesta noite faz péssima campanha. Ocupante da 18; posição, o alviverde almeja apenas fugir do rebaixamento. O Coxa tem o trunfo de atuar no Estádio Couto Pereira, diante da própria torcida, mas o fato é que os são-paulinos tendem a encontrar mais tranquilidade longe de casa. No Morumbi, uma guerra política incendeia os bastidores.

Um dia antes da partida, o vice-presidente de Futebol do São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, precisou atuar como bombeiro e levar tranquilidade aos jogadores e à comissão técnica. Pela manhã, ele conversou com os principais nomes do Departamento de Futebol no CT da Barra Funda para assegurá-los no cargo ; rechaçando o que o ex-presidente Juvenal Juvêncio dissera na noite anterior, após reunião extraordinária da Diretoria Executiva. O encontro entre desafetos na instância máxima do clube havia sido explosivo, e Juvenal saiu de lá dizendo que poderia haver demissões no comando do time.

Empossado na presidência do São Paulo em abril, o advogado Carlos Miguel Aidar, 68 anos, elegeu-se com o apoio do antecessor, Juvenal Juvêncio. Desde então, o relacionamento entre os dois só fez se deteriorar. O conflito tornou-se público na semana passada, quando Aidar criticou o estado em que herdou as finanças do clube. Juvenal, que acumulou três mandatos, não gostou: o cartola rebateu as críticas do sucessor em entrevista a uma rádio. A reação elevou a temperatura da crise, que passou a ser vista com clareza também fora dos bastidores do Morumbi.

A reunião da noite de segunda-feira ocorreu horas depois de Juvenal Juvêncio ser demitido por Aidar da direção das Categorias de Base do São Paulo. Vice-presidente do clube e aliado do ex-presidente, Roberto Natel aproveitou a ocasião e renunciou. ;Não posso continuar na diretoria a partir do momento em que o presidente não foi justo com aquele que o colocou lá. Depois que deixou de ser presidente, ele (Juvenal) não apareceu no clube e não deu entrevistas, deixando o Carlos Miguel trabalhar;, disse Natel, em entrevista por telefone.

Juvenal deixou a reunião da diretoria lamentando ter ajudado na eleição de Aidar. ;Estou arrependido até a morte. Hoje (segunda), falei que ele tem de saber que é um mau presidente, péssimo. Não está administrando e fica atrás de
pequenas fofocas. Falei que ele tem de administrar, porque o clube é grande;, criticou o ex-mandatário, em entrevista ao canal Fox Sports. No fim do programa, Juvenal passou mal, mas terminou a participação aparentando estar bem.

As conversas depois da reunião evidenciaram que a questão das finanças é só um dos motivos do racha na cúpula são-paulina. Tanto Roberto Natel como Juvenal Juvêncio comentaram outro problema, que nada tem a ver com o caixa tricolor. Os dois aliados indicam que o conflito, agora, é de ordem pessoal.

Filha na berlinda

A filha do atual presidente, Mariana Aidar, deixou o cargo de assessora da Diretoria recentemente, depois de ter sofrido críticas de conselheiros. O afastamento não teria sido bem digerido pelo novo homem forte do Morumbi. ;O Carlos Miguel veio com a desculpa de que fizeram fofoca da filha dele e colocou a culpa no Juvenal. Mas o presidente do São Paulo tem que se sentar na cadeira e saber administrar, e não escutar fofocas. Falei que ele está errado, incorreto;, contou Natel.

A cúpula do tricolor emitiu comunicado oficial para afirmar sua unidade após a saída da dupla dissidente, mas ambos ainda têm aliados na diretoria. ;Novamente, todos os diretores foram unânimes em reafirmar apoio ao presidente Carlos Miguel Aidar, com exceção ao senhor Roberto Rhormens Alves Natel, vice-presidente, que apresentou o seu pedido de demissão, que foi imediatamente aceito;, informou o texto.


FICHA TÉCNICA
CORITIBA X SÃO PAULO
Campeonato Brasileiro
22; rodada
Transmissão: Pay-per-view
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR)
Horário: 22h
Árbitro : Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)

CORITIBA: 4-5-1
Vanderlei; Norberto, Leandro Almeida, Welinton e Carlinhos; Helder, Rosinei, Robinho, Elber e Alex; Zé Love
Técnico: Marquinhos Santos

SÃO PAULO: 4-4-2
Rogério Ceni (Denis); Auro, Edson Silva, Rafael Toloi e Álvaro Pereira; Denilson, Souza, Ganso e Michel Bastos; Alexandre Pato e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho


Muricy ganha blindagem

Na manhã de ontem, o vice-presidente de Futebol, Ataíde Gil Guerreiro, agiu para evitar que a guerra política no clube não afete o trabalho do time, prestes a enfrentar o Coritiba. ;Enquanto eu estiver, quem manda no futebol sou eu, e eu não estou pensando absolutamente nada contra o Gustavo (Oliveira, gerente executivo), contra o Milton Cruz (coordenador técnico) e o Muricy (Ramalho, treinador). Estamos em uma fase onde esse tipo de discussão não tem que vir nem à tona. Estamos à procura de ganhar o campeonato;, disse o dirigente à Rádio Jovem Pan, rechaçando as possibilidades de demissão especuladas por Juvenal Juvêncio
na véspera, em entrevista.

Saiba mais

Sem Kaká, com Alex
Kaká é desfalque no São Paulo contra o Coritiba. O principal jogador do tricolor no momento está suspenso pelo terceiro cartão amarelo e tende a ter Michel Bastos como substituto. Luis Fabiano fica no banco. No Couto Pereira, a equipe paulista tenta alcançar a 10; rodada seguida de invencibilidade no Campeonato Brasileiro. Do outro lado, no Coritiba, a novidade é o retorno de Norberto, Welinton, Alex, Germano e Geraldo. O atacante Martinuccio, com dores na região lombar, está vetado. Mesmo afastado dos gramados por quase 15 dias, Alex deve ser escalado entre os titulares por sua experiência e pela necessidade de um meia articulador. A tendência no alviverde é ter apenas Zé Love no ataque.

Elenco se
diz tranquilo

Os jogadores do São Paulo dizem que a crise política do clube não vai interferir na boa fase do time no Campeonato Brasileiro. Quem falou ontem sobre o assunto pelo elenco foi Michel Bastos. ;Em lado político, não cabe a gente se envolver. A gente está aqui para fazer nosso trabalho, para, nas quartas e nos domingos, dar nosso melhor para tentar vencer. O grupo está focado no jogo contra o Coritiba, que é o mais importante. O grupo está tranquilo, focado e confiante para a partida;, disse.

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