Ataque a gays deixa Fidelix sob pressão

Ataque a gays deixa Fidelix sob pressão

TSE recebe representação contra o presidenciável do PRTB por declarações no debate de domingo. Assustado com a repercussão negativa, o candidato estuda pedir proteção policial

» NAIRA TRINDADE
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: YouTube/Reprodução)
(foto: YouTube/Reprodução)



A polêmica em torno da declaração homofóbica do candidato do PRTB à Presidência, Levy Fidelix, no penúltimo debate antes das eleições, chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A adversária Luciana Genro (PSol) e o deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ) representaram na Corte cobrando punição a Fidelix ;por ter incitado o ódio e a violência contra a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais);. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também representou no TSE e disse que as declarações podem motivar a cassação do registro da candidatura. Os principais presidenciáveis, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) repudiaram o episódio.

Entidades que combatem a homofobia marcaram para as 14h de hoje um beijaço na Avenida Paulista, em São Paulo, endereço criticado pelo presidenciável. O candidato, por sua vez, estuda com o advogado dele pedir proteção à Polícia Federal após a repercussão negativa do caso.

Dilma voltou a defender a criminalização da homofobia. Já Aécio criticou Fidelix. ;Quero expressar nosso repúdio absoluto àquela declaração. Como já disse, qualquer tipo de discriminação é crime. Homofobia, também;, disse o tucano. Marina Silva (PSB) também rebateu as ofensivas, alegando que a Rede Sustentabilidade estuda representar contra o candidato. ;Posturas como essa, ecoadas por pessoas públicas, somente reforçam o preconceito que vitimiza milhões de pessoas no país;, defendeu a legenda por nota. Eduardo Jorge (PV) foi outro candidato ao Planalto a demonstrar indignação contra Fidelix nas redes sociais.

Na peça encaminhada ao TSE, Luciana e Wyllys exigem que Fidelix seja punido nos termos da legislação eleitoral pelo discurso ;claramente homofóbico;. ;O candidato ora representado incitou à violência e à discriminação contra a população LGBT por meio de verdadeiro discurso de ódio e ofensa à coletividade LGBT em geral;, diz o texto.

O jornal britânico The Guardian destacou a ;intolerância; do candidato. No terceiro bloco do encontro entre os presidenciáveis da Rede Record, na noite do domingo, Luciana Genro perguntou ;por que pessoas que defendem tanto a família se recusam a reconhecer como família um casal do mesmo sexo;. Escalado a responder, Fidelix reagiu com ironia. ;Dois iguais não fazem filho. Desculpe-me, mas aparelho excretor não reproduz. Tem candidato que não assume isso com medo de perder voto. Prefiro não ter esses votos, mas ser pai, avô que instrua o neto. Não vou estimular a união homoafetiva. Se está na lei, que fique como está;, criticou.

A adversária rebateu, na réplica, que ficaria ao lado de ;todas as famílias; sem distinção. ;Estou defendendo todas as famílias. Não importa se são dois homens e duas mulheres. O que importa é que as pessoas se amem;, disse Luciana. Mas Fidelix revidou: ;O Brasil tem 200 milhões de habitantes. Você já pensou se a moda pega? Daqui a pouquinho vai reduzir pra 100 milhões. Vai para a (Avenida) Paulista e anda lá um pouquinho. É feio o negócio. Essas pessoas que têm esses problemas que sejam atendidas por ajuda psicológica. E bem longe da gente, porque aqui não dá;, disse.

Redes sociais
Minutos após as colocações do candidato, surgiram as primeiras hashtags contrárias a Fidelix nas redes sociais. O perfil do ;Diga não à homofobia; incentivou internautas a denunciarem o candidato do PRTB e o presidenciável Pastor Everaldo (PSC) por homofobia, incitação ao ódio e preconceito no Ministério Público, divulgando o link para as denúncias.

Com a repercussão negativa, o presidenciável estuda pedir proteção à Polícia Federal. Advogado de Fidelix, Marcelo Duarte explicou que a possibilidade foi cogitada no início da tarde de ontem, porém acabou repensada no fim da tarde. ;Ainda não está confirmado (que vamos pedir a segurança). Em um primeiro momento, se pensou em usar o contingente da Polícia Federal, mas o candidato ainda está ponderando sobre o assunto;, afirmou o advogado.

Quero expressar nosso repúdio absoluto àquela declaração. Como já disse, qualquer tipo de discriminação é crime. Homofobia, também
Aécio Neves, presidenciável do PSDB



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