Nas entrelinhas

Nas entrelinhas

por Luiz Carlos Azedo luizazedo.df@dabr.com.br
postado em 30/09/2014 00:00




Um maluco no Eixo

Como se não bastasse a reta final emocionante do primeiro turno das eleições, um maluco resolve chamar a atenção e fazer um refém no alto de um dos hotéis de Brasília, justamente aquele no qual o ex-petista José Dirceu pretendia trabalhar durante o regime semiaberto de sua condenação como um dos chefes do mensalão. Pelas características do episódio, em nenhum momento houve realmente a intenção de matar o refém, um dedicado funcionário do hotel, pois tanto os explosivos quanto o revólver do sequestrador eram falsos.

Durante oito horas, o ;terrorista; à brasileira ; ainda bem que não era um fanático da Al-Qaeda ; assustou, e muito. Independentemente do desfecho sem maiores consequências, o agricultor Jac de Souza dos Santos, que já foi candidato a vereador do PP e secretário de Juventude da prefeitura de uma pequena cidade de Tocantins, deve ser punido de forma exemplar.

Quando tudo parecia dentro do script de uma reta final eletrizante da campanha eleitoral, com Dilma Rousseff (PT) liderando a disputa e Marina Silva (PSB) no maior sufoco, pois está com o candidato do PSDB, Aécio Neves, na sua cola, a ameaça de atentado terrorista em pleno Eixo Monumental de Brasília roubou a cena. Seria esse um eco tresloucado e individual da violência e dos protestos de junho do ano passado? Talvez sim, talvez não.

Que o cara é doido, não resta dúvida, mas as reivindicações dele não estavam completamente fora do contexto do debate eleitoral. Ele ameaçou detonar o refém e explodir com ele se a Lei da Ficha Limpa não for cumprida, reivindicou a aprovação de uma reforma política, exigiu a expulsão do ex-terrorista italiano Cesare Battisti e fez críticas pesadas à presidente Dilma Rousseff e ao governador de Brasília, Agnelo Queiroz (PT).

Quem ganha eleitoralmente com o episódio, no qual a polícia de Brasília agiu com cautela e firmeza, evitando uma tragédia? Ninguém. Provavelmente, a única consequência do episódio foi desviar momentaneamente a atenção popular das eleições. Do ponto de vista da disputa entre governo e oposição, isso não terá maior significado.

Sobe e desce
No primeiro levantamento da semana, a pesquisa CND/MDA aponta Dilma e Aécio em ascensão, com Marina em queda. A petista cresceu 4,4 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, estando com 40,4% das intenções de voto, contra 25,2% de Marina Silva, que caiu 2,2 pontos. Aécio subiu 2,2 pontos, para 19,8%. Na simulação de segundo turno, Dilma seria reeleita com 47,7%, contra 38,7% de Marina, vantagem de nove pontos ; na pesquisa anterior, havia empate técnico. A avaliação positiva do governo Dilma cresceu de 37,4% para 41%, enquanto a negativa diminuiu, de 25,1% para 23,5%

Mais seis pesquisas eleitorais sobre intenção de voto estão previstas para a última semana de campanha. Nesta terça, são esperadas pesquisas Datafolha, Ibope e Sensus. Duas outras Datafolha e uma Sensus podem sair a partir de quarta. A reta final da campanha registra euforia no comando da campanha de Dilma e muito otimismo também entre os tucanos. Na campanha de Marina, todas as esperanças estão voltadas para o segundo turno; não há muito o que fazer, a não ser evitar uma queda mais abrupta.

Os candidatos têm apenas mais dois programas de tevê, salvo ser a Justiça aprovar algum direito de resposta. Com a disputa tão acirrada entre Marina e Aécio pela vaga de segundo turno, todas as atenções estarão voltadas para o debate da TV Globo de quinta-feira.

Pressão no leilão
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realiza hoje o leilão de internet 4G. Com exceção da Oi, da Nextel e da Sercontel, todas as demais grandes empresas do setor ; Claro, Vivo e TIM ;, e também a Algar, se inscreveram. Analistas avaliam que o setor será inevitavelmente descapitalizado, pois a utilização da internet 4G pela tevê digital somente ocorrerá em 2019. O leilão está sendo realizado por pressão do secretário do Tesouro, Arno Augustin, que pretende fazer caixa para fechar o superavit fiscal deste ano. Como no setor elétrico, as consequências vêm depois. O governo espera uma arrecadação mínima de R$ 7,7 bilhões.

Que o cara é doido, não resta dúvida, mas as reivindicações dele não estavam fora do contexto do debate eleitoral



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