Apagões e reajustes na luz rondam 2015

Apagões e reajustes na luz rondam 2015

Especialistas temem que chuvas escassas possam triplicar o risco de racionamento no próximo ano, quando alto custo da energia pesará no bolso do consumidor

» Simone Kafruni
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Carlos Silva/CB/D.A Press - 26/8/14)
(foto: Carlos Silva/CB/D.A Press - 26/8/14)



O risco de racionamento, hoje em 12%, pode quase triplicar caso as chuvas no chamado período úmido voltem a decepcionar. E esse é só um dos desafios que o setor elétrico enfrentará em 2015. Ao contrário do que afirmou o ministro Guido Mantega, em entrevista ao Correio, o impacto do desarranjo energético nas contas de luz será expressivo. Para especialistas reunidos ontem no 2; Encontro Nacional de Consumidores Livres, em Brasília, o quadro segue preocupante no ano que vem, com problemas de abastecimento, institucionais, financeiros e de eficiência.

A consultoria PSR estima que, se o volume de chuvas de novembro a abril ficar em 80% da média, o risco de racionamento subirá para 35%. ;Se vier mais úmido, a gente supera o risco de o racionamento ser decretado. Mas isso não quer dizer que os problemas estejam resolvidos porque os reservatórios precisarão de tempo para se recuperar;, lembrou Priscila Lino, sócia da PSR. A consultoria reviu a alta no custo médio da eletricidade este ano de 25% para 28% após a decisão do governo de congelar o repasse de R$ 4 bilhões à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), usada para socorrer o setor. ;A energia sofrerá acréscimo médio de R$ 50 por megawatt/hora (MWh) em 2015;, afirmou ela.

Para o diretor executivo da Safira Energia, Mikio Kawai Júnior, as tarifas precisariam ser reajustadas de 20% a 25% no próximo ano para reduzir o rombo do setor, avaliado em R$ 60 bilhões. ;A geração termelétrica de 2013 e 2014 ainda não foi paga. A liquidação do despacho térmico será feita em 2015, assim como parte do pagamento dos empréstimos às distribuidoras;, calculou. Mikio ressaltou que esse montante será pago pelos brasileiros, direta ou indiretamente, com aumento da carga de impostos.

Pendências
O presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata, disse que o governo deverá realizar um leilão este ano para entrega no próximo para completar a necessidade de energia das distribuidoras no ano que vem. Mas ressaltou que isso não vai resolver o problema. ;Nossa expectativa é de que vamos continuar a administrar problemas bastante parecidos em 2015;, completou. Ele estimou que as operações no mercado de curto prazo devem chegar este ano a R$ 36 bilhões. A média, antes de 2013, era de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica (Abraceel), Reginaldo Medeiros, os problemas não são só financeiros ou de suprimento. ;Temos um nó institucional porque o diálogo com o governo é difícil. Isso está nos obrigando a levar muitas questões à Justiça;, assinalou.


; SAE é notificada

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) notificou a concessionária Santo Antônio Energia (SAE) para que se pronuncie por não ter aportado garantias para os pagamentos que precisa fazer na próxima semana, quando ocorre liquidação das operações do mercado de curto prazo realizadas em agosto. A SAE solicitou novo aporte aos acionistas, de R$ 1,14 bilhão, mas, por falta de quórum, o assunto não foi deliberado na reunião da semana passada. ;Tenho convicção de que a empresa vai pagar;, disse o presidente da CCEE, Luiz Eduardo Barata.

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