Sete horas de tensão para a família Souza

Sete horas de tensão para a família Souza

EDUARDO MILITÃO PALOMA SUERTEGARAY
postado em 30/09/2014 00:00

O mensageiro José Airton de Souza, morador do Novo Gama (GO), chegou ao trabalho ontem às 7h, como de costume. Deveria sair pouco depois das 15h. Entre as 8h e as 9h, no entanto, o paraibano de 49 anos estava dominado pelo sequestrador Jac Souza dos Santos. Casado com Íris e pai de um casal de filhos, José Airton trabalha no St. Peter Hotel há dois anos. E jamais se imaginou em uma situação como a que vivia logo no início da jornada de trabalho.


No início da tarde, os momentos de tensão do mensageiro passaram a ser divididos com a família. A mulher dele, por exemplo, é funcionária do Hotel Bonaparte, vizinho ao St. Peter. E a sobrinha dele Katiana Kelly trabalha como gerente operacional no mesmo hotel do tio, empregado do ramo de hotelaria há cerca de 20 anos.


Às 14h08, o telefone do filho de Airton tocou. Era o próprio pai, ao lado do sequestrador. Dona Íris conversou com o marido, mas, nervosa, logo devolveu o celular ao filho. Os dois, então, passaram pelo cordão de isolamento e correram para dentro do St. Peter, acompanhados de um policial. Porém, voltaram em dois minutos, frustrados. ;Ele é um louco;, comentava o filho do mensageiro com os amigos, ao explicar o teor do telefonema com o pai. Ao Correio, o jovem contou que, segundo o pai, o sequestrador estava irredutível e não aceitava se render.


Vinte minutos depois, Íris e o filho retornaram para o hotel. De lá, só saíram depois das 16h, quando o sequestrador havia se rendido. Nesse período, permaneceram na gerência do St. Peter, que fica no térreo, aguardando o fim das negociações entre os policiais e Jac. Em determinado momento, dona Íris, muito nervosa, precisou ser medicada. Não foi a única. Funcionários do hotel pediam a todo instante comprimidos contra dores de cabeça. Por volta das 16h30, José Airton deixou o hotel em um carro da polícia em direção à 5; Delegacia de Polícia (Área Central).

Reservado

O assessor da diretoria do St. Peter Hotel, Clodoaldo Andrade, conta que o mensageiro é um trabalhador dedicado. ;É capaz de ele descansar amanhã (hoje) e já aparecer no hotel depois, porque é daqueles nordestinos para quem está tudo bem;, contou o colega. Andrade descreve Airton como uma pessoa calma, tranquila e brincalhona, mas que não é chegada a piadas. ;Ele é reservado, trata todo mundo muito bem, sempre ensinando aos mais jovens;, disse ele.

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