De Dirceu a Naya

De Dirceu a Naya

» BERNARDO BITTAR
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)


Palco da confusão que parou o centro da cidade. o St. Peter Hotel já teve outras menções no noticiário. As controvérsias vão desde a propriedade do imóvel a polêmicas contratações de funcionários, como no caso do ex-ministro José Dirceu, condenado no mensalão, que quase foi oficializado como gerente administrativo em 2013 para receber o salário de R$ 20 mil. Localizado a 1,5km da Esplanada dos Ministérios e a 3km do Congresso, o St. Peter tem 482 apartamentos com diárias a partir de R$ 220.
Em 2001, pouco antes de ser inaugurado, o St. Peter adiou a cerimônia de abertura, prevista para setembro daquele ano, em decorrência de uma decisão judicial. Naquele mês, o desembargador Edmundo Minervino, então presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), barrou a abertura do hotel sob a alegação de que a obra estava irregular e em área pública.
Após o imbróglio judicial, o empreendimento, de propriedade do empresário e ex-deputado Sérgio Naya, abriu as portas, tornando-se, assim, um dos hotéis mais bem localizados da cidade. Entretanto, mesmo após mais de uma década em obras, iniciadas em 1989, o St. Peter abriu as portas com defeitos estruturais, como infiltrações e vazamentos.

Com menos de quatro anos de funcionamento, em julho de 2005, o hotel foi a leilão, a fim de indenizar as famílias dos oito mortos no desmoronamento do Edifício Palace II, no Rio de Janeiro em 1998, que era de propriedade de Sérgio Naya. Na época, o St. Peter foi avaliado em R$ 46 milhões, mas não foi vendido pelo leilão.
Hoje, o hotel tem como sócio majoritário a Truston International, empresa aberta no Panamá pelo escritório Morgan & Morgan e estaria em nome de um laranja. A outra parte do negócio é do empresário Paulo Abreu, sócio de emissoras de rádio e tevê que funcionam sob concessão do governo federal. No meio político, há ainda a versão de que o proprietário é Paulo Naya, irmão de Sérgio, morto em 2009 devido a um infarto.

Fiscalização

Em 2010, a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) retirou placas de vidro que cercavam irregularmente o estacionamento público. Em 2012, um hóspede insatisfeito usou as redes sociais para reclamar que itens como pão e manteiga foram servidos fora da validade. Além disso, salientou que os funcionários do St. Peter usavam roupas rasgadas e que os corredores eram sujos. De acordo com o diretor da Vigilância Epidemiológica, Manoel Silva Neto, não há nenhuma notificação por problemas de alimentação no hotel. Procurada, a direção do estabelecimento não se manifestou.

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