Na ruas, clima de tensão

Na ruas, clima de tensão

Hóspedes, funcionários e trabalhadores de prédios próximos ao St. Peter viveram horas de apreensão durante ação terrorista

» MARIANA LABOISSIERE » PALOMA SUERTEGARAY
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)



O calor escaldante de 32;C não conseguiu dispersar a multidão de curiosos que se formou ao longo do dia na frente ao St. Peter Hotel na expectativa de ver o sequestrador, Jac Souza dos Santos, aparecer na varanda. Do lado de fora do perímetro de segurança demarcado pela polícia, hóspedes e funcionários do estabelecimento, trabalhadores de prédios próximos e até vendedores ambulantes ; que vendiam água ; aguardavam tensos pelo desfecho, com olhares fixos no 13; andar. A cada movimentação na janela, dezenas de pessoas erguiam os celulares na tentativa de registrar as ações do suspeito.
De acordo com o relato de hóspedes, no início da manhã, Jac passou em cada um dos quartos do andar escolhido e mandou sair quem estava lá. O administrador de empresas Ari Ferreira, 39 anos, conta que estava dormindo quando o suspeito entrou, acompanhado do mensageiro do hotel que tinha feito como refém, José Airton de Souza. ;Ele conseguiu abrir (a porta do quarto) com a chave mestra e pediu para eu arrumar tudo e descer. Eu perguntei se era um assalto e ele disse que não, que era um atentado terrorista;, relata Ari. De acordo com ele, o refém vestia um colete com supostas dinamites.

Em Brasília para participar de uma Feira Fitness, os irmãos Minotauro e Minotouro, lutadores de MMA (sigla em inglês para Artes Marciais Mistas) também estavam no hotel. Assim como os outros hóspedes, eles foram informados da evacuação do prédio por causa de um vazamento de gás. ;Comecei arrumar minhas coisas calmamente. Quando olhei pela janela e vi a quantidade de viaturas dos bombeiros, percebi que a situação era séria. Não imaginava que era um ataque terrorista;, relata Rodrigo Minotauro.
Boa parte dos hóspedes eram médicos e profissionais da saúde, vindos a Brasília para participar do 69; Congresso Brasileiro de Cardiologia, que começou na última sexta-feira. O cardiologista Yoshio Asanuma, 65 anos, de São Paulo, era um deles. Ele tinha voo marcado para as 14h, mas teve de desistir, já que todas as malas ainda estavam dentro do edifício. ;Não consigo entender a razão do sujeito (o sequestrador) fazer algo assim;, reclamou.

Riscos


Na parte da tarde, alguns hóspedes foram liberados para entrar em pares e recolher os pertences. A cardiologista Maria do Socorro Araújo, moradora de João Pessoa (PB), estava hospedada no 3; andar e ficou sabendo do que estava acontecendo por meio da polícia. Maria garante ter sentido medo só no momento em que voltou ao prédio para buscar as malas. ;Não chegamos a entrar no quarto. Perguntei se tinha risco de explosão enquanto estávamos no prédio, e os policiais disseram que, mesmo que tivesse, não chegaria ao andar em que estávamos;, completou.
Além da tensão no hotel, perto das 13h, o prédio dos Correios que fica em frente ao St. Peter precisou ser esvaziado, o que deixou os funcionários assustados. ;O clima estava muito tenso, não tínhamos paz e não havia ambiente para trabalhar. Não acredito que uma coisa dessas aconteceu no Brasil;, lamentou a servidora Eldívia Maciel, 52 anos e moradora de Águas Claras.

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