Festa para os jornaleiros

Festa para os jornaleiros

Hoje é dia do profissional que gerencia as bancas de jornais e revistas. Segundo eles, a rotina é cansativa, mas também marcada pela fidelidade dos clientes. Muitos contam com a ajuda da família no trabalho

NATHÁLIA CARDIM THIAGO SOARES
postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Fotos: Oswaldo Reis/Esp.CB/D.A Press.)
(foto: Fotos: Oswaldo Reis/Esp.CB/D.A Press.)






Os jornaleiros têm motivos para serem parabenizados hoje. Afinal, é dia do profissional que presta o serviço de distribuir informação de credibilidade à população. São eles os responsáveis por garantir que notícias e conhecimento cheguem à comunidade todos os dias. A categoria, que, segundo relatos históricos, já existe há mais de 150 anos no Brasil, mudou bastante ao longo do tempo. Atualmente, as bancas são verdadeiros espaços de convivência. Tudo pensado para o bem-estar dos consumidores.

As histórias de algumas bancas se misturam com as das cidades. É o caso da Chave D;Ouro, localizada no Setor Leste do Gama. Nela, o anfitrião é o jornaleiro Antônio Renato Pereira, 66 anos. Ele montou o estabelecimento em 1972, época em que a região foi fundada. ;São mais de 40 anos de luta. Comecei com uma estrutura de madeira. Não tinha asfalto em todas as vias, apenas nas principais. O Gama foi crescendo e eu acompanhei tudo isso. Eu me orgulho de fazer parte dessa história;, conta Pereira.

Todas as manhãs, o motorista aposentado Luiz Gonzaga da Silva, 76 anos, vai até a banca para adquirir o jornal. ;Eu gosto de estar atualizado e também das companhias daqui. Acredito que é importante manter o hábito da leitura;, disse. Ele se junta a outros clientes que fazem dali um ponto para discussões das notícias do dia. ;Falamos de tudo, de esporte a economia. Algumas vezes, tem tanta gente que eu nem consigo ler meu jornal;, brinca o aposentado. A Chave D;Ouro foi um dos primeiros pontos de vendas da região. O jornaleiro se declara apaixonado pela profissão. ;Tudo que eu tenho agradeço a essa banca. Sou abençoado por ter tido a oportunidade;, diz Pereira.

Outra banca que se mistura com a história da região é a Farias, localizada na Cidade Jardim, em Valparaíso (GO). Lá, os clientes são recebidos pela simpática jornaleira Maria José de Faria, 45. Há 19 anos, quando o bairro começou a ter os primeiros moradores, ela e o marido Carlos de Oliveira abriram o comércio. ;No início, não foi fácil porque vendia muito pouco, mas com o crescimento da cidade, as vendas cresceram também;, explica. De domingo a domingo, o ponto de venda está aberto. Um trabalho cansativo, mas apreciado por Maria. ;É uma rotina pesada, mas a família ajuda e fica tudo certo. Eu conheço todo mundo daqui, fiz bons amigos ao longos desses anos;, comenta.

No Entorno, as bancas também são pontos de referência de informação de qualidade e, é claro, um bom bate-papo. Pedro Aires Amaral, 53 anos, todos os dias vai até a Estrela Dalva, localizada na principal via do Jardim Ingá, em Luziânia (GO). Antes de ir trabalhar, é ali que o autônomo conversa com os amigos. O jornaleiro é o Manoel Gomes Ribeiro, 75 anos, que há 21 anos exerce a profissão. ;Ele é o jornaleiro mais querido da região. Foi um dos primeiros. É uma pessoa que todo mundo conhece. Superatencioso e ainda por cima amigo;, elogiou Pedro.

A família de Manoel sempre o apoiou na profissão. A filha dele até seguiu os passos do pai. ;Eu tinha uma banca em outro lugar, passei para ela e montei essa nova aqui. Quando a gente faz a coisa certa para sobreviver, tem que ser apoiado pela família. Como jornaleiro, consegui sustentá-los;, explica. O jornaleiro tem uma carteira fiel de clientes e busca conhecer a preferência de cada um. ;Eu tenho que lembrar o que o cliente pede para, na hora que ele chegar aqui, eu atendê-lo direito. Sempre procurei levar o meu trabalho muito a sério, e o bom tratamento faz parte;, concluiu.

Apesar de os jornaleiros terem mercado garantido e crescente no Distrito Federal ; já que Brasília e Entorno somam cerca de 700 estabelecimentos ao todo ;, o presidente do Sindicato dos Jornaleiros (Sinjor-DF), José Maria da Cunha, diz que ainda existem alguns lugares carentes de bancas de jornais. ;Brasília precisa de novos locais para atender a comunidade. Muitas regiões administrativas e condomínios que estão sendo instalados não possuem nenhuma banca por perto;, afirma, apontando o crescimento da procura pelos pontos de vendas de jornais e revistas na cidade.



700

Quantidade de bancas de jornais e revistas no Distrito Federal e Entorno

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