A marca de Felipão

A marca de Felipão

Depois da vergonha dos 7 x 1 com a Seleção na Copa, o técnico surge como o diferencial do Grêmio na competição. Desde a chegada dele, o tricolor avançou na tabela e entrou no páreo por vaga na Libertadores

postado em 30/09/2014 00:00
 (foto: Edison Vara/Reuters - 30/7/14)
(foto: Edison Vara/Reuters - 30/7/14)

Após a eliminação na Copa do Mundo do Brasil, o técnico Luiz Felipe Scolari desapareceu dos holofotes. Com o objetivo principal de digerir o trauma dos 7 x 1 diante da Alemanha, se afastou do futebol. As férias do treinador, porém, foram interrompidas pelo convite do clube do coração, 22 dias após o vexame com Seleção Brasileira. Felipão assumiu o Grêmio e reacendeu a esperança da torcida tricolor. Sem abandonar o estilo aguerrido e polêmico, ele tem conseguido apagar o rótulo de ;ultrapassado;, que o acompanhou logo após a queda no Mundial.

Antes de Felipão assumir o tricolor, a campanha era irregular. Com aproveitamento de apenas 48,7%, aparecia na 10; colocação do Campeonato Brasileiro e tinha sido derrotado por adversários que lutam contra o rebaixamento, como Coritiba e Vitória. Dois meses após a chegada, o treinador mostra que assimilou à risca o recado dado pelo presidente do clube, Fábio Koff, na sua apresentação: ;Devolver ao Grêmio o que é do Grêmio;.

Em 12 confrontos à frente do Grêmio pelo Nacional, Luiz Felipe Scolari alcançou sete vitórias e três empates ; sofreu apenas duas derrotas. O time saltou para o quinto lugar no Brasileirão. O título está distante: 10 pontos separam o tricolor do líder, Cruzeiro. Mas a vaga na Libertadores é um objetivo plausível. Para terminar no G-4, Felipão deposita confiança na defesa, marca registrada do treinador. São nove partidas sem perder. Em oito delas, o adversário não balançou as redes. Sob o comando do técnico, a média de gols sofridos é de um a cada três jogos.

Na Seleção Brasileira, Felipão encheu Julio Cesar de confiança. No tricolor, não é diferente com Marcelo Grohe, contestado na era Enderson Moreira, o antecessor. No primeiro semestre, a diretoria cogitou contratar outro goleiro para a posição. Com Luiz Felipe Scolari, Grohe está invicto há 13 horas e se tornou o gremista com mais tempo sem ter as redes balançadas. No último domingo, bateu mais uma marca. É o goleiro gaúcho com maior invencibilidade na história do Brasileirão: está há 810 minutos sem sofrer gols.

Polêmico
De volta ao Grêmio após 19 anos, Felipão se reergueu sem deixar de lado o espírito guerreiro. Em campo, os atletas estão mais unidos. A dupla de volantes, formada por Ramiro e Fellipe Bastos, atua perto da linha de zaga. Os meias Dudu, Luan e Alán Ruiz jogam mais próximos do atacante Hernán Barcos, artilheiro do time no Nacional. A união se reflete no aproveitamento no returno. A equipe tem o quarto melhor desempenho na segunda metade da competição.

As polêmicas também acompanham Felipão no clube. Após a exclusão do Grêmio na Copa do Brasil por causa das injúrias racistas da torcida tricolor contra o goleiro Aranha, do Santos, o técnico protagonizou a primeira controvérsia. Durante treinamento, sugeriu aos jornalistas que o caso foi uma ;armadilha; criada pelo adversário. ;Vamos ver se eles vão cair na esparrela de Aranha de novo;, afirmou, supostamente numa referência aos repórteres presentes no estádio.


0,3
Média de gols sofridos por jogo pelo Grêmio de Felipão

0,75
Média de gols por jogo do atacante Barcos, vice-artilheiro do Brasileirão

13 horas
Tempo em que o Grêmio está sem sofrer gols


Rendimento
Veja a campanha do técnico no Grêmio em 2014

13 jogos
7 vitórias
3 empates
3 derrotas
10 gols marcados
6 gols sofridos
Aproveitamento: 61,5%




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