A estratégia da comparação

A estratégia da comparação

GRASIELLE CASTRO
postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: Ichiro Guerra/Dilma 13)
(foto: Ichiro Guerra/Dilma 13)

No dia em que vazou o depoimento à Justiça no qual o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa revelou que o PT recebeu propina de 2% e 3% dos contratos da estatal, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo partido, se calou. Em extensa agenda no Nordeste, ela não fez nenhum comentário sobre o caso e ignorou as denúncias. Em Maceió, ela se limitou a repetir o discurso de que combate a corrupção sem tréguas, ;doa a quem doer;. ;O meu governo não varre a corrupção para debaixo do tapete.;

A maratona de visitas a cinco estados do Nordeste em dois dias foi encerrada com a consolidação do tom da campanha no segundo turno: a presidente tentará ficar longe das polêmicas e baterá na tecla de comparação das gestões petistas e tucanas, com foco na análise entre a postura dela e a de Luiz Inácio Lula da Silva em relação a Fernando Henrique Cardoso e a administração do candidato do PSDB, Aécio Neves, em Minas Gerais.

Nas passagens por Bahia, Sergipe e Alagoas, a presidente mirou em FHC. Ela criticou a declaração do ex-presidente, de que o PT cresceu no país com o voto dos menos informados, feita na segunda-feira, e disse estar ;preocupada; com a afirmação. Segundo Dilma, os adversários fazem uma comparação ;ridícula; entre o Sudeste e o Nordeste. Ela acrescentou ainda que há uma visão preconceituosa e elitista. ;Estão dizendo que meus votos são os dos ignorantes, e os dos letrados são deles. Eles não andam no meio do povo, não dão importância ao povo. Querem desqualificar, destilar um ódio mal resolvido;, disse. Ela destacou também que, desde 2003, 4 milhões de empregos formais foram criados no Nordeste, 1 milhão no governo dela. ;Não concordo em aumentar a desigualdade de renda. Nós levamos mais qualidade de vida para os nordestinos e nordestinas. Lula e eu;, disse.

O discurso da petista incluiu alfinetadas ao rival tucano, com a intenção de se mostrar como a única candidata capaz de manter as conquistas dos últimos 12 anos. ;Somos diferentes dos nossos adversários. Quando tivemos oportunidade, nós fizemos. Quando tivemos condições, fizemos. E vamos fazer muito mais. Não sei se vocês notaram, mas meu adversário do PSDB tem a mania de dizer que tudo que fizemos e deu certo, ele vai continuar. É muito engraçada essa mania. Por que não fizeram antes, quando tiveram oportunidade?;, disse, repetindo declaração publicada em redes sociais (leia abaixo). Na lista de realizações dos governos dela e do ex-presidente Lula, ela ressaltou o aumento do salário mínimo e a baixa taxa de desemprego. ;Enquanto o mundo desemprega, nós criamos 21 milhões de empregos com carteira assinada. Nós defendemos o emprego e o salário dos brasileiros diante de qualquer crise econômica.;

;Onda;
A presidente disse ainda que ;ninguém controla; o voto do eleitor. ;Eles vão olhar para a urna e pensar no que é bom para o país e para o povo. Ela aproveitou os eventos no Nordeste para pedir uma ;onda que convença as pessoas a votar no 13;. Em Salvador, ela se declarou ;meio pardinha; e brincou: ;Já disse que, depois que eu deixar de ser presidenta, vou ver se consigo ali um espaçozinho para tocar no Olodum. Até perguntei se o pessoal aceita branco, porque eu sou meio pardinha;.

;Já disse que, depois que eu deixar de ser presidenta, vou ver se consigo ali um espaçozinho para tocar no Olodum. Até perguntei se o pessoal aceita branco, porque eu sou meio pardinha;

Dilma Rousseff (PT), presidente da República e candidata à reeleição

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