FMI: Brasil deve investir mais

FMI: Brasil deve investir mais

Instituição diz que, para retomar crescimento, o país precisa modernizar infraestrutura e fazer mudanças trabalhistas

postado em 10/10/2014 00:00

Washington ; O Brasil precisa aumentar os investimentos em infraestrutrura para eliminar os gargalos ao crescimento e promover reformas no mercado de trabalho para elevar a competitividade da economia. A recomendação foi feita ontem pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ao divulgar a Agenda Global de Políticas, que reúne as diretrizes políticas da instituição para os 188 países-membros.

O documento destaca que, como o Brasil, muitas nações precisam agir de forma mais decisiva para estimular a economia global, cuja recuperação ainda é frágil e desigual. Lagarde, que em seus últimos pronunciamentos tem enfatizado o risco de o mundo entrar em um período prolongado de baixo crescimento, cobrou ontem ações mais enérgicas dos países para reverter o quadro. ; Os governantes globais precisam levar reformas econômicas mais a sério, ou podem ver suas economias presas a um ciclo de crescimento medíocre, com alta dívida e desemprego;, disse ela.

A dirigente disse que, entre os emergentes, Brasil e Rússia estão em franca desaceleração e traçou um quadro preocupante sobre os países da Zona do Euro. Segundo ela, enquanto os Estados Unidos mostram um cenário mais favorável, a probabilidade de as economias europeias mergulharem em um novo período de contração está entre 35% e 40%.

Bolsa


O receio de uma nova piora da economia global provocou fortes perdas nos principais mercados acionários. Em Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,97% e o Standard & Poor;s teve recuo de 2,07%, a maior baixa diária desde 10 de abril. Na Europa, Londres fechou em baixa de 0,72%e Paris amargou perda de 0,643%. O cenário externo ruim também limitou os ganhos na Bolsa de Valores de São Paulo (BM), que, mesmo assim, voltou ao terreno positivo, impulsionada pela expectativa de vitória da oposição da corrida presidencial.

O Ibovespa, principal indicador do pregão, fechou em alta de 0,37%, aos 57.267 pontos. As ações de empresas estatais mais uma vez estiveram na lista das maiores altas, com destaque para as ordinárias do Banco do Brasil, que subiram 3,84%, e as preferenciais da Petrobras, com avanço de 1,67%. O contraponto negativo foi o tombo de 13,16% das preferenciais da Oi. Em apenas dois dias, o papel já teve perda de 22,7%, refletindo os indicadores ruins da empresa e a incerteza sobre o futuro da companhia, após a saída do presidente, Zeinal Bava, por divergências com os acionistas. O desgaste se acelerou após vir a público a informação de que a Portugal Telecom, sócia da operadora, emprestou 900 milhões de euros (R$ 2,8 bilhões) a uma empresa do grupo português Espírito Santo, em grave crise financeira. Ontem, em Lisboa, a holding financeira do grupo declarou falência.

Dólar

O dólar chegou a recuar 1% logo após a abertura dos negócios, mas inverteu a tendência e fechou com valorização de 0,25% ante o real, cotado a R$ 2,387 para a venda, interrompendo um período de quatro sessões consecutivas de queda. Segundo analistas, a volatilidade deve continuar nas próximas semanas, em meio ao clima político de disputa acirrada entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves, do PSDB. ;O mercado tem se resumido a isto: eleições;, afirmou o operador de câmbio da corretora Intercam Glauber Romano.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação