Correio Econômico

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Os eleitores estão ávidos por saber que país terão em 2018, quando acabará o mandato que será definido nas urnas em 26 de outubro

por Vicente Nunes vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 10/10/2014 00:00

Olhar pelo retrovisor

As próximas duas semanas serão decisivas para o país. Na mais disputada eleição desde 1989, os eleitores não poderão se deixar levar pela paixão, mas pelo pragmatismo. O Brasil enfrenta hoje um dos momentos mais delicados no campo econômico. A inflação está acima do teto da meta, de 6,5% e o nível de atividade, próximo de zero. Espera-se que esses temas sejam debatidos à exaustão pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Mas será preciso muito mais para convencer os brasileiros que merecem ocupar a Presidência da República.

Os eleitores estão ávidos por saber que país terão em 2018, quando acabará o mandato que será definido nas urnas em 26 de outubro. Apesar de todos os avanços dos últimos 20 anos, o Brasil ainda carece de muitas melhorias. A sociedade cobra serviços públicos melhores, exige menos corrupção e mais eficiência na aplicação dos impostos. A nova classe média, que representa milhões de votos, está convencida de que seu processo de inserção no mercado de consumo ficou pela metade.

Infelizmente, a despeito dos anseios do eleitorado, a campanha recomeçou sem propostas concretas de melhoria do país. O debate está centrado na troca de acusações, no quem fez melhor. Os dois candidatos estão olhando o Brasil pelo retrovisor e não apresentando projetos que possam nos levar, de fato, a dar um salto para o futuro. As grandes cidades estão saturadas. Não há programas decentes de mobilidade urbana. A violência avança de forma avassaladora. Famílias são destruídas pelas drogas.

Já está provado que discurso bonito não resulta em mais votos. Nem propagandas que vendem um país das maravilhas. Quatro anos é um período longo demais para ser perdido. O Brasil não pode se dar a esse luxo. Há ainda milhões de pessoas que necessitam ser resgatadas da miséria e uma parcela significativa na nova classe C que precisa se consolidar no novo status social.

A inflação alta dos últimos anos estancou o processo de mobilidade do país. Sem crescimento econômico, não há como reduzir o fosso que separa ricos e pobres. Quando olhamos para a frente, não vemos um avanço robusto do Brasil. Para 2015, a projeção média é de 1%. Em 2016, se as políticas econômicas forem na direção correta, pode até ser que o Produto Interno Bruto (PIB) dê um salto de 2% ou 2,5%. É quase nada diante dos desafios que estão colocados. Sendo assim, a hora de contratar o futuro é agora. Não há espaço para ilusões.


Ausência e mau humor

; Pegou muito mal, em Washington, Estados Unidos, a ausência das duas maiores autoridades econômicas do governo Dilma Rousseff na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, decidiu ficar no Brasil para defender o governo e justificar o porquê de o país conjugar inflação tão alta e crescimento minguado. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, mandou dizer que chegará atrasado, mas não se furtará de justificar números tão ruins de sua gestão. Em 45 meses à frente do BC, em 12, ele não evitou que a inflação estourasse o teto da meta.

Planalto em alerta

; O Palácio do Planalto ficou em estado de alerta. Com a presidente Dilma Rousseff saindo atrás nas primeiras pesquisas de intenção de votos no segundo turno das eleições, a ordem será partir para o ataque, sem constrangimento. A visão é a seguinte: ou se reverte a diferença de dois pontos percentuais até a próxima semana ; Aécio tem 46% e a petista, 44% ;, ou a batalha poderá ser perdida.

A culpa é de Augustin
; No Banco Central, não há economia nas críticas ao secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Para os técnicos da autoridade monetária, a gastança patrocinada pelo subordinado ao ministro da Fazenda tirou boa parte dos efeitos da alta dos juros sobre a inflação. Há quem diga que, no caso de o IPCA estourar o teto da meta, de 6,5%, neste ano, em vez de o presidente do BC passar pelo constrangimento de se explicar à Nação, Augustin deveria assumir a culpa e dizer o quanto contribuiu para detonar a onda de desconfiança que varre o país.

Holland cai em desgraça
; O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland,
caiu em desgraça no Planalto. Ao mandar os consumidores trocarem a carne de boi por ovo ou frango, ele contrariou o discurso do governo petista de que, com os programas sociais e o reajuste do salário mínimo, permitiu que os mais pobres trocassem o pescoço de frango pelo filé-mignon.


Reajuste em risco

; Policiais federais e peritos agropecuários estão assustados com a possibilidade de a MP 650, que lhes garante reajuste de 15,8%, expirar no próximo dia 28, dia dos servidores. Representantes das duas carreiras se reuniram ontem com representantes do Ministério do Planejamento, para tirar o compromisso de que o governo mobilizará a base aliada a fim de votar a medida no Senado.

Com Vera Batista

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