Lei seca no Distrito Federal

Lei seca no Distrito Federal

postado em 10/10/2014 00:00


Álcool e volante são como azeite e água. Não se misturam. Ou não deveriam se misturar. A incompatibilidade dos dois não decorre de caprichos ou preferências. É comprovada cientificamente. Condutor embriagado relaxa a atenção plena que deve acompanhar a pessoa que se habilita a ter uma arma na mão. Os reflexos falham.

Em consequência, a reação, que deveria ser pronta, vem tarde ou não vem. São segundos que cobram alto preço. A moeda de pagamento é a vida, a saúde ou a incapacidade para o trabalho. Em resumo: além de sobrecarregar o equipamento hospitalar, a irresponsabilidade no trânsito onera sobremaneira a previdência.

Estudo do Ministério da Saúde traz revelação preocupante, que põe o Distrito Federal à margem da tendência nacional. Em 2013, caiu em 45% o números de motoristas embriagados ao volante em 26 unidades da Federação. Na capital da República, porém, os números continuam em ascensão. Foram 8.199 apreensões ; 683,2 por mês.

No primeiro semestre deste ano, o quadro piorou: 4.257 brasilienses desrespeitaram a lei no território distrital. A média: 709,5 flagrantes mensais. É assustador. O Código de Trânsito Brasileiro classifica de gravíssima a infração de dirigir sob o efeito do álcool. A punição ; a suspensão por um ano do direito de dirigir e a multa de R$ 1.915,54 ; dói no conforto e no bolso. Mas não alcança o objetivo.

Pior: especialistas consideram os números subestimados. Pesquisa do Instituto de Segurança do Trânsito (IST) tem levantamento que mostra quadro mais grave: nos fins de semana, de sexta a domingo, 200 mil pessoas ingerem álcool e dirigem. Abrem caminho para atropelamentos e acidentes em geral.

Impõe-se acabar com a orgia que põe em risco a vida de adultos e crianças. Medidas em duas direções precisam dar-se as mãos. De um lado, a repressão. Urge intensificar a fiscalização. Afastada a certeza de impunidade, o condutor pensará duas vezes antes de ingerir cerveja, vinho ou uísque. Nada o impede de beber. Mas, ao fazê-lo, deverá deixar o carro na garagem ou no estacionamento.
De outro lado, a prevenção. Campanhas educativas precisam ser intensificadas. Jornais, rádios, tevês, internet têm de ser convocados para divulgar publicidade eficaz, apta a atingir os diferentes públicos. Não só. Educação para o trânsito deve ser matéria do currículo escolar. Desde cedo, a criança tem de ser conscientizada da importância da vida.

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