Brasil tem primeiro caso suspeito

Brasil tem primeiro caso suspeito

Eduardo Militão Carmen Souza
postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: Valter Campanato/Abr)
(foto: Valter Campanato/Abr)



O Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná confirmaram ontem a existência de um caso de suspeita de ebola em Cascavel. Há possibilidade de um segundo em Apucarana. Por enquanto, o paciente está sob observação. Na primeira cidade, a Unidade de Pronto Atendimento Brasília recebeu, na tarde de ontem, um homem de 47 anos vindo da Guiné, com escala em Marrocos, na África. Ele chegou ao Brasil no último dia 19 e teve febre anteontem e ontem. ;Até o início da noite, estava subfebril e não apresentava hemorragia, vômitos ou quaisquer outros sintomas;, informou a nota divulgada pelo ministério.

Apesar disso, o paciente encontra-se isolado na unidade. Segundo a rádio CBN, nem mesmo médicos e enfermeiros podiam entrar no local. Ele será transferido num avião da Polícia Rodoviária Federal para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, referência nacional para casos de ebola. Como o homem está esta no 21; dia no Brasil, que é o limite máximo para incubação do vírus ebola, as autoridades usaram protocolos internacionais para a doença. ;Guiné é um dos três países que concentram o surto da doença na África;. O ministério deslocou uma equipe para Cascavel em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para coordenar o atendimento.

Também ontem, a Secretaria de Saúde do Paraná informou ter descartado uma suspeita em Apucarana, no norte paranaense, mas ainda observa o paciente por precaução. Trata-se de um brasileiro que voltou de Moçambique, no sudeste da África, local onde não há registros da doença. ;Ele segue sendo monitorado pelas equipes de saúde e realizará outros exames para concluir o diagnóstico;, afirmou o órgão, em nota.

Sem risco zero
Não há como trabalhar com risco zero acerca da possibilidade da chegada do vírus ebola ao Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Ontem, antes da divulgação dos casos no Paraná, o secretário de vigilância em saúde da pasta, Jarbas Barbosa, afirmou que as chances de transmissão são ;muito baixas; no país e que os estados estão preparos para um possível combate ao patógeno. ;Em nenhum país do mundo, o risco é zero, nem na Coreia do Norte. Pode ser o menor do mundo por ser um país totalmente isolado, mas pode chegar alguém infectado. Países com colônias grandes (dos locais da África em que há transmissão) e voos diretos têm mais chances.;

Foi descartada a aferição da temperatura de passageiros que chegam ao Brasil, medida adotada em países africanos e prevista para começar hoje nos EUA. De acordo com o ministério, ela é ineficaz. Crispim Cerutti Júnior, chefe do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Espírito Santo, faz a mesma avaliação. ;Vai criar um medo desnecessário nas pessoas;, justifica o infectologista. ;Analisando os casos fora da África, temos um panorama dos riscos para nós. São maiores em quem tem contato direto com alguém contaminado. Ou seja, os profissionais de saúde.;

Em cada unidade da Federação, há um hospital referência para o ebola. No Distrito Federal o escolhido foi o Hospital Regional da Asa Norte (Hran). De acordo com a Secretaria de Saúde do DF, ainda não houve treinamento de funcionários. Medidas nesse sentido só serão adotadas depois que o plano de contingência entregue ontem ao ministério for avaliado. Segundo Barbosa, há um 0800 do ministério funcionado 24 horas do dia para ajudar os profissionais.

Valter Campanato/Abr

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação