Jihadistas dominam parte de cidade curda

Jihadistas dominam parte de cidade curda

Bombardeios não detêm grupo, que ocupa um terço de Kobane

postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: Aris Messinis/AFP)
(foto: Aris Messinis/AFP)



Apesar dos ataques aéreos contra posições do grupo sunita Estado Islâmico (EI), o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que os jihadistas já ocupavam mais de um terço da cidade de Kobane, no norte da Síria. Embora Washington tenha reconhecido que os bombardeios não seriam suficientes para salvar a cidade, que abriga a terceira maior comunidade curda do país, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, indicou que a estratégia norte-americana não deve mudar. ;Kobane é uma tragédia porque representa o mal do EI, mas não é a definição da estratégia ou da totalidade do que está acontecendo em resposta EI;, declarou.

Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) ; responsável pelo Oriente Médio e pela Ásia Central ;, nove ataques aéreos foram realizados ontem contra alvos do EI ao sul de Kobane. Há três semanas, os extremistas começaram uma ofensiva contra a cidade, estratégica por fazer fronteira com a Turquia. Diante da resistência das Unidades de Proteção Popular (YPG, a principal milícia curda da Síria), os jihadistas conseguiram entrar na cidade apenas no início da semana. Sem a perspectiva de que a coalizão internacional de combate aos militantes islâmicos envie tropas ao norte da Síria, a comunidade curda na Turquia pressiona o governo de Ancara por apoio ao YPG.

O ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, declarou que não é realista considerar que a Turquia possa fazer, sozinha, uma intervenção militar terrestre contra o EI. O Parlamento turco autorizou o governo a intervir contra os extremistas no Iraque e na Síria, mas Ancara tem sido relutante em avançar com as tropas, mobilizadas na fronteira.

Protestos
Manifestantes curdos voltaram a enfrentar a polícia turca em várias cidades do sudeste do país em protestos contra a inatividade de Ancara. Apesar do toque de recolher imposto em seis províncias turcas, centenas de pessoas voltaram a sair às ruas de Diyarbakir, Batman, Van e Siirt. Pedras e projéteis foram lançadas contra agentes de segurança, que responderam com canhões d;água e bombas de gás lacrimogênio. Na Universidade de Istambul, a polícia prendeu 28 estudantes, depois de confrontos entre manifestantes antijihadistas e simpatizantes do EI. Outras 50 mulheres de um grupo antiguerra também foram detidas, durante ato no aeroporto da cidade.

O presidente Recep Tayyip Erdogan fez um apelo para que o processo de paz entre o governo turco e as comunidades curdas não seja comprometido por uma ;sabotagem;. Idris Nassan, vice-ministro das Relações Exteriores de Kobane, relatou ao Correio que, apesar da forte resistência do YPG, a população curda teme o avanço dos jihadistas. ;Quando o EI toma uma cidade, os seus homens realizam execuções, decapitações e coisas do tipo. Eles punem muitas pessoas, por acreditarem que elas não têm fé;, afirmou, por telefone. Ancara defende a criação de uma zona-tampão no norte da Síria, a fim de isolar e proteger refugiados e áreas controladas por rebeldes moderados.


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