Beijaço em vez de barbárie

Beijaço em vez de barbárie

Comunidade LGBT promove, hoje à noite, uma manifestação em resposta às agressões a quatro jovens homossexuais

BERNARDO BITTAR
postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)

Em apoio aos jovens homossexuais agredidos no Simpsons Bar e Restaurante, cerca de 100 pessoas devem se reunir em protesto, hoje, às 18h, na 307 Sul. O Beijaço contra Homofobia pretende chamar a atenção para a comunidade gay cuja sexualidade é assumida, pois são eles o pivô de agressões físicas e verbais. Ao Correio, a administração do bar disse que não se opõe a manifestações pacíficas, e que funcionários foram instruídos a ajudar nas investigações.


O produtor cultural Wilson Nemov, de 24 anos, é um dos nomes à frente do Beijaço. Ele afirma estar desapontado com o descaso do bar, local que já frequentou com os amigos. ;A ideia é recrutar pessoas (homo e hétero) para mostrar apoio aos jovens agredidos. Não entendi porque isso aconteceu lá. Com o protesto, queremos normalizar o contato entre cidadãos do mesmo sexo;, explica.


Procurado pela reportagem, o proprietário do Simpsons Bar, Roberto Anhenzi, falou apenas por meio da assessoria. Ele disse que o estabelecimento não vai fazer oposição ao movimento, salientando que toda reivindicação pacífica é bem-vinda. Porém, ressaltou que não tem certeza se a causa foi a homofobia. ;Não sabemos exatamente o que motivou toda aquela agressão, mas o bar sempre teve bom relacionamento com todo tipo de público, independentemente de classe social e opção sexual.;

Na pele
O esteticista Yuri Gleidson, 22 anos, um dos espancados na confusão, está traumatizado. Ele continua internado no Hospital de Base e aguarda uma cirurgia. ;Meu rosto continua inchado, mas talvez eu faça o procedimento amanhã. Estou com uma placa de aço na boca e, por isso, tenho dificuldade em falar;, conta.


Ele explicou que é totalmente a favor da movimentação. ;Para qualquer tipo de agressão ou violência, deve haver uma resposta dos gays. Assim, fortalecemos a luta por nossos direitos.; O militante informa que continua abalado psicologicamente, mas sente orgulho do Beijaço e do que ele representa. ;Estamos fortalecendo a luta contra a discriminação;, diz.


Desde terça-feira, Rayan de Souza, 23 anos, que também apanhou, não põe o pé fora de casa. ;Foi assustador. Ainda não tive coragem de sair;, lembra. Na briga, o rapaz machucou a boca, os olhos e o braço direito. Sobre o Beijaço, ele garante tratar-se de um pedido de ajuda. ;Estamos mandando um recado. Não somos sempre minoria nem sempre indefesos.;, diz.

Memória

Ato contra a violência
O Beijaço é um ato simbólico contra a homofobia. Em 2012, estudantes da UnB protestaram no movimento UnB Fora do Armário, que pedia aos estudantes homossexuais que assumissem a condição perante a sociedade. Dois anos antes, em 2010, o Beijaço ;também na UnB ; terminou com ameaça de espancamento.

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