Aniversário sem festa

Aniversário sem festa

Movimento dos jogadores por melhorias no futebol, Bom Senso completa um ano sem muito a comemorar. Desde o primeiro manifesto do grupo, clubes continuam a atrasar salários, e mudanças no calendário são %u201Cmaquiadas%u201D

AMANDA MARTIMON
postado em 10/10/2014 00:00


O posicionamento dos jogadores, que há um ano se uniam contra a má administração do futebol brasileiro, ampliou o debate sobre o assunto e incomodou muitos dirigentes, incluindo a entidade máxima da modalidade no país, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entre os feitos do grupo nos últimos 12 meses se destaca um encontro inédito com a presidente Dilma Rouseff. Além disso, conseguiu sinal da CBF de que assumirá compromissos para que as contrapartidas de uma possível renegociação das dívidas dos clubes com o governo federal sejam cumpridas. Na prática, contudo, o Bom Senso conseguiu poucos avanços. O atraso nos salários dos atletas, por exemplo, continua a ser um problema constante, e o calendário passou por mudanças que não atendem às reivindicações.

Desde que se anunciou o encontro histórico de atletas para debater temas como fair play financeiro dos times, calendário, férias e pré-temporada, o número de adeptos ao movimento passou de 75 jogadores de futebol para mais de mil integrantes, incluindo competidores de outras modalidades e da categoria feminina. No início, o diálogo com a CBF parecia possível. Uma semana após o primeiro manifesto, apenas teórico por meio das redes sociais, a entidade recebeu uma comissão de atletas para ouvir as propostas. Com o tempo, porém, as reuniões se enfraqueceram, e o movimento lamentou, por nota, o desinteresse da CBF.

Sem apoio, o Bom Senso F.C decidiu mostrar insatisfação em campo. As manifestações começaram singelas. Primeiro, os times da Série A do Brasileirão passaram a se reunir no meio de campo em círculo, com os atletas abraçados, antes do apito inicial. A cada rodada, sem retorno positivo quanto aos apelos por melhorias, os jogadores aumentaram os protestos. Teve faixa, braços cruzados, atletas sentados no gramado e a ameaça máxima de greve, que nunca se concretizou e foi motivo de críticas.

Assim, distante de um acordo ;interno;, o movimento buscou reforço no campo político. A presença de atletas se tornou comum no Congresso Nacional. Com o envolvimento do Bom Senso, o projeto da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, em trâmite na Câmara dos Deputados, sofreu mudanças. Ainda que sem garantias de que o documento aprovado será rígido, o grupo de competidores e apoiadores conseguiu uma vitória parcial. Impediu que a proposta de renegociação das dívidas fosse aprovada às pressas ; como desejavam dirigentes dos clubes e políticos envolvidos com o futebol ; e pressionou para que as contrapartidas sejam amplamente discutidas. No caminho, o Bom Senso alcançou um fato inédito: foi recebido, mais de uma vez, pela presidente Dilma Rouseff, que se disse ;estarrecida; com a situação dos atletas, em especial pelas irregularidades trabalhistas, como salários atrasados.

Erros repetidos
Meses após as declarações de Dilma, porém, o cenário se repete. Só na Série A, oito times estão com os salários atrasados. Já o calendário revisado pela CBF não atendeu às reivindicações e deve proporcionar poucas melhorias a jogadores e torcedores em 2015.

Prestes a comemorar um ano de existência, o Bom Senso voltou a criticar o que denominou de ;escandalosa indiferença da CBF;. O presente de aniversário, contudo, chegou. Atletas, cartolas e a entidade ficaram bem próximos de um acordo para a renegociação das dívidas dos clubes. O trio obteve consenso sobre a proibição de antecipação de receitas e a criação de um órgão fiscalizador. A intenção é que um acordo prévio entre eles facilite a votação do projeto.

Para começar a próxima temporada com o caixa aliviado, os mandatários ainda esperam que a proposta seja aprovada neste ano. Na terça-feira, os líderes dos partidos se reúnem, na Câmara, para decidir a pauta de votação.

CBF revisa calendário
Em agosto, a entidade divulgou o calendário de 2015, com 25 dias de pré-temporada e pausa no Brasileirão durante a Copa América. Agora, por conta da Conmebol, a CBF fez alterações pontuais no cronograma. De qualquer maneira, os clubes continuam prejudicados por datas que coincidem com jogos da Fifa.

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