Retorno às origens

Retorno às origens

A 39ª edição do Ironman será realizada amanhã no Havaí, onde a competição começou em 1978. Entre os 1,8 mil atletas, 47 brasileiros tentam superar a mais difícil prova da modalidade, apenas um na categoria profissional

JÉSSICA RAPHAELA
postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: Hugh Gentry/Reuters)
(foto: Hugh Gentry/Reuters)


Mesmo com alto nível de dificuldade, nenhuma das 38 provas de Ironman realizadas nos cinco continentes se iguala à disputa do Mundial no Havaí. Uma certa mística envolve o local, que é o berço da maior competição de triatlo do planeta. Mas não é só isso. A prova reúne os atletas mais fortes em um mesmo lugar, todos sedentos pelo título de ;homem de ferro;. A competição deste ano tem largada no sábado, com 1.800 participantes ; 47 brasileiros ; dispostos a desafiar o próprio corpo.
Os primeiros 3,8km, cumpridos em menos de uma hora dentro d;água, dão o tom da disputa. É preciso enfrentar a nado os fortes ventos da praia de Kailua-Kona. Sem pausa para recuperar o fôlego, é hora de pedalar por 180km, passando pelos campos de lava. Por fim, os atletas descem da bicicleta e percorrem o desgastante percurso de 42,2km de corrida, para, enfim, cruzar a linha de chegada.
;Ironman é Ironman, mas em Kona o buraco é mais embaixo;, comenta o paulista Bruno Lazaretti, que participará pela segunda vez do Mundial na ilha norte-americana, na categoria amador 25 a 29 anos. Segundo ele, o vento, o calor e o circuito dificultam a prova, que, além disso, conta com os melhores atletas do mundo. Para superar as dificuldades, é preciso estratégia, pois o corpo pode falhar diante de tanto esforço nas mais de oito horas intensas de prova. Ninguém quer sair de Kona sem o título de Ironman.


Desafio militar
Uma das razões que colocam o Havaí no topo das provas de triatlo é o fato de o Ironman ter nascido no local. Foi durante uma confraternização de amigos que faziam parte das Forças Armadas dos Estados Unidos que o comandante da Marinha americana, John Collins, levantou a questão sobre quem seria o melhor atleta do mundo no quesito preparo físico. Para tirar a dúvida, lançou o desafio de reunir as três modalidades (natação, ciclismo e corrida) em uma só prova. A primeira edição foi em 1978 e contou com 18 participantes, dos quais 12 completaram o percurso e ganharam o título de ;homem de ferro;. O americano Gordon Haller foi campeão, com o tempo de 11h46min58s.

Cansaço extremo
Em 1981, a prova passou a ser realizada no distrito de Kona, tornando o desafio ainda maior por conta das altas temperaturas (37;C a 40;C), da umidade e dos ventos fortes que atingem a região. A etapa de ciclismo passou a ser disputada nos campos de lava, com altimetria que chega a 195 metros. A competição acontece sempre na primeira lua cheia de outubro, quando o mar está mais agitado. Muitos participantes não suportam as dores e o cansaço extremo e desistem no meio do caminho.

Apenas selecionados
Embora conte com atletas amadores, não é qualquer pessoa que pode participar do Mundial de Ironman. Para se classificar, é preciso bom resultado em outras provas de Ironman. Os atletas de elite precisam acumular pontos para conseguir uma vaga. Já os de categorias de faixas etárias (18 a 80 anos) conquistam a vaga em alguma disputa anterior.

Limite
Existe um tempo máximo para completar o Ironman. Em 17 horas, é preciso ter cumprido os 226 quilômetros de percurso total. Quem não finalizar nesse tempo não consegue o título de Ironman. A categoria elite larga na frente, seguida pelas diversas faixas etárias.

Os mais velozes
Em 2011, o australiano Craig Alexander quebrou o próprio recorde e terminou o percurso em 8h03min56s, 12 segundos melhor que a antiga marca. No feminino, a também australiana Mirinda Carfrae cravou o nome na história com o tempo de 8h52min14s no ano passado.

Brasileira na história
O maior nome do Brasil nas 35 edições do Mundial de Ironman é feminino. A triatleta Fernanda Keller surpreendeu o mundo em 1989, quando terminou a disputa entre as quatro melhores. Era a terceira participação dela. Fernanda é a única brasileira que competiu por 22 anos consecutivos. Além disso, terminou 14 vezes entre as 10 melhores.

Esperança

O principal nome brasileiro nesta edição é Igor Amorelli. Ele é o único representante do país na categoria profissional. No ano passado, cravou o melhor tempo da história entre os brasileiros e conseguiu a 13; colocação: 8h34min59s. Além do catarinense, outros 47 brasileiros disputam a prova nas faixas etárias. No feminino, serão nove triatletas.

Lenda havaiana
Ela é conhecida como a vencedora que não terminou em primeiro. Foi em 1982 que Julie Moss liderou toda a prova, mas começou a cambalear e caiu a alguns metros da linha de chagada. Desidratada, ela não desistiu ao ver a rival Kathleen McCartney passá-la e vencer a prova. Moss se arrastou nos últimos 100 metros até finalizar o percurso.

Últimos campeões
No ano passado, o belga Frederick Van Lierde surpreendeu ao ser o vencedor. Ele finalizou o percurso em 8h12min29s. Esse foi o primeiro título do europeu. Entre as mulheres, Mirinda Carfrae conseguiu o bicampeonato mundial em 8h52min14s. Ambos tentam manter o título neste ano.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação