Mecenas do riso

Mecenas do riso

Atores da comédia brasileira se unem para encenar A besta, que revive o tempo de Molière sob a direção de Alexandre Reinecke

Paula Bittar Especial para o Correio
postado em 10/10/2014 00:00
 (foto: João Caldas/Divulgação)
(foto: João Caldas/Divulgação)


;estou aqui esperando o espetáculo começar;, ordena a princesa interpretada pela atriz Priscila Fantin. É ela quem patrocina uma trupe de teatro francesa que dá vida ao espetáculo A besta. A peça se passa em 1654 e fala sobre o conflito entre o sério diretor da companhia e um comediante popular canastrão.

O texto contemporâneo se apresenta com estrutura clássica. ;Somos muito reféns de financiamento no formato que traz a Lei Rouanet. A peça é quase um desabafo do que a gente vive como ator;, conta o ator Celso Frateschi.

La bête, em francês, foi escrita pelo dramaturgo norte-americano David Hirson. O espetáculo estreou na Broadway em 1991 com grande sucesso. A peça é inspirada em Moli;re, um dos grandes nomes da dramaturgia francesa. É um texto requintado e hilário, que levanta uma discussão entre arte erudita e popular.

O diretor, Alexandre Reinecke, fez a junção de grandes mestres da comédia e do teatro, como Hugo Possolo, Ary França e Iara Jamra. Destaca-se também Celso Frateschi, reconhecido pela atuação em dramas. Priscila Fantin, Alexandre Bamba, Carol Mariottini, Dani Mustafci, Fabek Capreri e Renan Duran integram o elenco.

Serviço
A besta

Hoje e amanhã, às 21h; e domingo, às 20h, no Teatro Unip (913 Sul). Ingressos: sexta, R$ 50 (inteira); sábado e domingo,
R$ 60 (inteira), à venda no Brasília Shopping e na bilheteria do teatro. Assinantes do Correio têm 50% de desconto. No sábado, haverá bate-papo entre atores e público após a apresentação. Telefone: 3346- 3738. Classificação indicativa 12 anos
.


Duas perguntas Celso Frateschi

Como se sente ao fazer parte
de um grande elenco, além de
trabalhar com os Parlapatões?

A última vez que pensamos em trabalhar juntos foi há muito tempo. Acho que em 1996. Tinha uma expectativa para trabalharmos em uma comédia, mas acabou não acontecendo. Fiquei muito tempo sem perspectiva de trabalhar com espetáculos cômicos. Surgiu a oportunidade de fazer A besta. Aceitei logo de cara o convite do Hugo Possolo e do Alexandre Reinecke. O resultado ficou muito legal.

Como você analisa o trabalho
da Cia. para a comédia brasileira?

A trajetória deles revela uma linha de pesquisa que se firmou em uma comédia brasileira interessante. O Hugo, sem dúvida, é o nosso grande palhaço. É uma peça em que Hugo acaba revelando todo o seu potencial cômico. É um prazer trabalhar com ele. Às vezes, quase insuportável, porque ele brinca o tempo inteiro (risos). Ele recupera uma tradição cômico-brasileira de uma maneira brilhante.




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