Traficante espera pedido e extradição

Traficante espera pedido e extradição

ÉTORE MEDEIROS
postado em 24/10/2014 00:00
 (foto: Elza Fiuza/Agência Brasil)
(foto: Elza Fiuza/Agência Brasil)

Comandante de um dos mais poderosos carteis de cocaína da Colômbia, Jesús Figueroa García, o Marquito Figueroa, ficará detido em São Paulo até o pedido oficial de extradição pelo governo colombiano, que deverá ser autorizado pelo Supremo Tribunal Federal. Capturado em uma casa de classe média alta de Boa Vista, ele foi preso na noite da última terça-feira em Roraima e transferido para a capital paulista na manhã de ontem. Ele é suspeito de envolvimento em cerca de 250 assassinatos, inclusive de políticos e autoridades. A operação conjunta entre Brasil e Colômbia também levou à prisão do sobrinho e braço direito de Figueroa.

A escolha de Boa Vista como esconderijo se deu pela proximidade com a área de atuação do criminoso, que operava no Norte de Colômbia, próximo à fronteira com a Venezuela, facilitando o tráfico de armas, de drogas e o contrabando. Até agora, as investigações não identificaram atividades ilegais do colombiano no Brasil. Segundo o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (PF), Oslaim Santana, um inquérito apura uma suspeita de lavagem de dinheiro.

A captura de Marquito foi fruto de uma cooperação entre a PF e a Polícia Nacional da Colômbia (PNC). Em agosto, equipes de inteligência da PNC localizaram o esconderijo do traficante e pediram auxílio aos brasileiros. Na Colômbia, cerca de 100 investigações apuram a ligação de Figueroa a crimes como contrabando e formação de quadrilha, além do tráfico e das centenas de assassinatos. Ele era perseguido há anos mediante recompensa de R$ 600 mil.

Cooperação

Apesar das 43 pessoas presas no Brasil, em 2014, por meio de pedidos na lista de difusão vermelha da Interpol para fins de extradição ; na qual estava Figueroa ;, e das 63 capturas de 2013, as operações de segurança com os países vizinhos ainda são esporádicas. ;Há troca de policiais, existem interesses políticos entre os países; Casos como este são muito bem-vindos, mas são raridades;, lamenta o coronel José Vicente da Silva Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública. Para ele, a escolha de barões do tráfico colombiano pelo Brasil se dá por múltiplos fatores. Além de grande consumidor de cocaína, o país ocupa posição estratégica no fluxo da droga da América do Sul até a Europa e a África.

Somado a isso, existe uma sensação de impunidade. ;Eles sabem que o risco é pequeno, a começar pela fácil disseminação da droga. Se eles estão (traficando) há tanto tempo, em tanta quantidade, é porque existe precariedade no policiamento;, analisa o coronel, professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da Polícia Militar de São Paulo. Ele critica a eficácia da atual política de fronteiras, que não consegue frear a entrada de 80 a 100 toneladas de cocaína, por ano, no Brasil. ;Enquanto não tivermos uma estratégia mais sólida de fronteiras, vai ser muito difícil afetar a logística do tráfico;, avalia.

Brasil como lar

Quando foi preso pela Polícia Federal, em agosto de 2007, Juan Carlos Abadia era considerado pelos Estados Unidos como a segunda pessoa mais perigosa do mundo ; atrás de Osama Bin Laden. Chefe do cartel mais poderoso da Colômbia à época, Abadia foi capturado em um condomínio de luxo em Aldeia da Serra (SP). O traficante estava quase irreconhecível, depois de pelo menos três cirurgias plásticas. A Operação Farrapos foi uma parceria entre a PF e polícias de outros quatro países. Assim como Figueroa, Abadia tinha envolvimento em cerca de 300 assassinatos na Colômbia e 15 nos EUA. Nestor Chaparro foi outro grande traficante colombiano que se refugiou no Brasil. Ele foi preso em 2010, no Rio de Janeiro.

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