Avanço de Dilma leva dólar para R$ 2,51

Avanço de Dilma leva dólar para R$ 2,51

» DECO BANCILLON
postado em 24/10/2014 00:00
O nervosismo no mercado financeiro com o quadro eleitoral chegou a níveis alarmantes ontem. O temor de que as pesquisas de intenção de voto mostrassem novo avanço da presidente Dilma Rousseff (PT) sobre o senador Aécio Neves (PSDB); o que se concretizou no fim do dia ; foi suficiente para provocar mais uma queda da bolsa e uma nova disparada do dólar, que atingiu o maior patamar em seis anos.

A avaliação dos investidores é que a reeleição da petista poderá levar a uma piora do crescimento econômico, que já está no chão, e a uma escalada ainda maior do custo de vida, que, em setembro, rompeu pela quarta vez no ano o teto da meta de inflação, e cravou alta de 6,75%. Diante do quadro de aversão a riscos, a ordem foi se desfazer de ativos no país e buscar proteção no dólar. A debandada elevou a procura pela moeda norte-americana, que encerrou o dia cotada a R$ 2,516 para a venda, com alta de 1,48%.

A última vez que o dólar esteve tão caro havia sido em 4 de dezembro de 2008. Naquela época, as incertezas provocadas pela quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, em 11 de setembro, fizeram o mundo mergulhar na maior crise financeira em 80 anos. Pior do que o número em si, dizem analistas, é o movimento de instabilidade do câmbio. Há apenas um mês, a divisa era cotada a R$ 2,40. ;Hoje, está em 2,51, e pode continuar subindo amanhã (hoje), já que Dilma parece mesmo estar consolidando a liderança na reta final das eleições;, vaticinou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

O analista se referia à divulgação, na noite de ontem, da mais recente pesquisa do Ibope sobre as eleições para presidente da República. No levantamento, a petista aparece com 54% dos votos válidos, oito pontos percentuais a mais do que o adversário tucano, que fica com 46% da preferência do eleitorado. ;Quando você abre os dados, é impressionante ver a rejeição do Aécio, que subiu bastante (de 35% para 42%);, disse Perfeito, reforçando que ;está ficando mais evidente uma dianteira da Dilma;.

Reversão

Os dados do Ibope levaram grande parte do mercado a rever as apostas em Aécio Neves. Um levantamento encomendado pela XP Investimentos, feito com analistas de bancos e corretoras, mostra que 71,7% dos investidores acreditam em vitória de Dilma no domingo. O tucano, por sua vez, é apontado como favorito por 28,3% dos analistas.

As apostas na petista não refletem uma preferência por Dilma, conforme frisou o levantamento. Oito em cada 10 consultados acreditam que o índice que acompanha as principais ações das empresas brasileiras negociadas na bolsa de valores, o Ibovespa, que fechou ontem em 50.713 pontos, cairia para até 40.000 no caso de vitória da candidata à reeleição. É bem diferente do cenário esperado na hipótese contrária. Com Aécio escolhido presidente, o indicador subiria para níveis entre 60.000 e 70.000 pontos, conforme acreditam 70% dos analistas entrevistados pela XP Investimentos.

A possibilidade não foi ainda inteiramente descartada, diz o estrategista-chefe da corretora, Celson Plácido. ;Esta é a eleição mais disputada na história do país, em que o imponderável tem se tornado a regra;, assinalou. Ele recorda que, na véspera do primeiro turno, as pesquisas mostravam um quadro diferente do que acabou prevalecendo. ;Ninguém esperava que Aécio fosse para a disputa final. Depois, ele apareceu na frente da Dilma. Agora, as sondagens indicam a queda dele;, disse, avaliando que está ;tudo muito indefinido;.



; Ação do BC

Para conter a volatilidade, o Banco Central (BC) continuou intervindo no mercado. Pela manhã, vendeu 4 mil contratos de swap cambial, que equivalem à venda futura de dólares. Foram mais de 300 mil operações, com volume de US$ 196,5 milhões. O BC também vendeu 8 mil swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro. Já foram renovados 76% do lote com o total de US$ 8,84 bilhões.



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