Correio Econômico

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Espiral do silêncio

por Vicente Nunes / vicentenunes.df@dabr.com.br
postado em 24/10/2014 00:00
Se confirmada a vitória da presidente Dilma Rousseff nas eleições de domingo, o PT completará 16 anos no poder ao fim de 2018. Mais do que nunca, ao fazer essa escolha, a sociedade terá de ficar alerta. A história mostra que um grupo dominante por muito tempo em um país tende a silenciar as vozes divergentes, a corromper em troca de apoio e a minar a eficiência da máquina pública. O resultado é a destruição econômica e moral da nação.

Exemplos não nos faltam para mostrar o quanto esse risco está mais próximo de nós do que imaginamos. Basta olhar para dois de nossos vizinhos, Argentina e Venezuela, onde a família Kirchner e o chavismo arrasaram economias prósperas. Hoje, os argentinos lidam com uma inflação anual próxima de 30% e são obrigados a guardar a poupança debaixo do colchão, temendo o confisco pelo governo. Os venezuelanos, por sua vez, enfrentam escassez de alimentos e de produtos básicos, como papel higiênico, apesar de o país ser um dos maiores produtores de petróleo do mundo. São vítimas ainda de uma onda sem precedentes de violência e de censura.

O poder destruidor de grupos dominantes começou a ser estudado pela cientista política alemã Elisabeth Noelle-Neumann, que o definiu como ;espiral do silêncio;. Entre 1965 e 1972, durante as campanhas eleitorais na Alemanha, ela percebeu uma súbita mudança de opinião dos eleitores na reta final da disputa. No entender da estudiosa, ao mudar os votos, os alemães buscaram se aproximar das opiniões que julgavam dominantes.

A teoria do ;espiral do silêncio; avançou. E, para os especialistas, mostrou que não importa a ideologia dos grupos dominantes. De direita ou de esquerda, ao chegar ao poder, recorrem aos mesmos expedientes para se perpetuarem. Por isso, a alternância no comando de um país e a presença de vozes dissonantes são extremamente importantes para a sobrevivência de regimes democráticos e para o bem-estar de uma nação.

Para garantir mais quatro anos de mandato, Dilma prometeu, se vitoriosa, ;um governo novo, de ideias novas;. Foi a forma de que encontrou para fisgar parte dos eleitores que saíram às ruas em junho do ano passado, pedindo mudanças no país. Assim como ela nada fez para atender os pleitos das ruas, nada indica que o fará nos próximos quatro anos.

Muitos analistas políticos têm dito que, se reeleita, Dilma ficará mais fraca, tamanha a divisão do país. E, para se sustentar no poder, terá de ceder ao PT e ao PMDB, os maiores partidos de sua base de apoio, mesmo que isso signifique corroer todo o seu capital político. No primeiro mandato, Dilma prometeu varrer a corrupção do governo. Até esboçou algo nesse sentido forçada pela mídia. Mas acabou cedendo aos grupos dominantes, que viram na Petrobras uma fonte inesgotável de financiamento. Resta saber até onde a petista está disposta a levar o seu projeto de poder.

Demarcação
de território

; Os dilmistas já começaram a fazer as contas de quantos cargos poderão abocanhar no governo. A tendência é de que, com as trocas de ministros, boa parte dos 22,7 mil cargos comissionados da Esplanada dos Ministérios vão trocar de mãos. Só esperam o resultado das urnas para saírem a campo e demarcarem os territórios.

Busca por
comprador

; Quem acompanha o dia a dia do mercado financeiro garante que os controladores do Banco Ficsa, que registrou prejuízos de R$ 101,4 milhões no primeiro semestre do ano, estão buscando compradores para a instituição.

Apostando
na economia

; A Aramis Menswear inaugurou ontem mais uma loja em Brasília. Somente com a compra de estoques, a rede investiu mais de R$ 500 mil. Foram criados 12 empregos diretos e quase 300 indiretos.


Com Ivan Iunes

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